domingo, 18 de outubro de 2015

Diário da 3ªFIV / 4ª TEC: Sobre o D2 após transferência



Este não será um dos posts mais animadores do meu blog... Mas vamos lá, vocês entenderão o motivo. Podem até achar exagero de minha parte, mas é algo muito complexo em uma história toda de anos neste processo de tentativas de engravidar. Quando somos adolescentes, é aquele medo de acontecer algo e depois quando encontramos alguém para viver conosco, o fantasma da infertilidade aparece para nos assombrar.
 
Bom, o dia começou tranquilo, não fui trabalhar e fiquei o dia todo deitada, esticada como um lagarto ao sol ali no sofá, vendo TV. Como sou irrequieta, logo fiquei entediada e combinei de sair com minha irmã para começar uma pizza. Além da estar com saudades dela e de meu sobrinho (meu afilhado de 2 aninhos, uma fofura), ela me contou semana passada que está grávida de novo. Nem preciso comentar que vem aquele sentimento dúbio (e que até me sinto mal por narrar aqui, mas ao mesmo tempo que fiquei feliz por ela, dá aquele vazio. Poxa, ela é dez anos mais nova que eu, aquela cobrança chata da família e tal.
Chegando na pizzaria, meu sobrinho veio correndo me abraçar e o peguei no colo para ver os peixes em um aquário que fica no local. Na hora, não lembrei que poderia ser um tipo de esforço e que afetaria o fato de ter feito a transferência. Foi um lapso, uma grande besteira que não me liguei na hora. Como puder não perceber? Que erro imperdoável que me cobrarei pela vida toda?
Mas quando cheguei em casa, meu marido ficou muito bravo comigo por isso e foi dormir sem me dar boa noite. Não aguentei o chamei para conversar. Quando ele me disse que estava zangado, entendi e pedi desculpas, mas me magoei demais quando ele me disse que eu não estava nem aí para a FIV. Aquilo doeu de mais...
Na hora, ele estava muito bravo e eu chorei muito porque aquilo me feriu por dentro. Tive uma crise de ansiedade e pânico, horrível. Acho que não contei aqui, mas lutei por anos sobre algo muito complicado, que é a SAG (Síndrome da Ansiedade Generalizada) e contra os ataques de pânico. Relutei para não ficar dependente das medicações super fortes, mas foi um processo difícil. Não é fácil assumir que passei por isso e hoje consigo falar mais calmamente sobre o processo pois achei que tivesse superado tudo.
Se vc que está lendo e já passo por ataques de pânico, irá me entender. É uma sensação de quase-morte em que os efeitos não são apenas psicológicos, mas físicos. No meu caso, fico sufocada e não consigo respirar direito. Resultado: ontem me esforcei muito para controlar a respiração que minha barriga até doeu, além da forte dor no peito. Acho que este esforço pode ter afetado os bebês, pois foi uma das piores crises que tive.
Não consigo expressar em palavras o meu desejo em ser mãe, mas se fosse preciso dar um dos rins para ter um bebê, eu faria isso. Exagero? Não sei. Um devaneio sincero para tentar simbolizar o quanto quero concretizar meu sonho.
Fui dormir muito triste, não consigo explicar. Pode parecer exagero e racionalmente as pessoas podem dizer que devo ficar calma. Sabe, nesta hora é uma questão de ter feito vários cursos de Pós e especialização, de ter mestrado e doutorado ou outras porcarias acadêmicas que o ponto é mais emocional e isso não tem nada a ver. Somos humanos, somos emocionais, somos mulheres, somos passionais, somos sensíveis. Porra, há anos as feridas de resultados negativos nos marcam e cada vez é um processo de luto. Perder algo que estava tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Este foi um desabafo, desculpem por não ser alta astral e tão confiante como sempre sou, no dia a dia e aqui nas postagens.
Vamos em frente, um vazio no coração e um sentimento de culpa que vou carregar para sempre se não der certo desta vez... Sorry...

Desculpem a todas que me seguem por desmotivador... Ao mesmo tempo, agradeço pelo apoio, pois posso falar tudo o que sinto, sem máscaras ou cobranças sociais. Estou abrindo meu coração e amanhã espero estar melhor. Foi bom desabafar