terça-feira, 13 de setembro de 2016

O último post deste blog



Pois então, depois de uma longa jornada, como o título que dei ao blog quando o criei, chegamos ao fim de uma etapa. Foi um ciclo longo, marcado por várias batalhas. Algumas que trouxeram tristeza, mas muitas com alegria e este foi o papel deste espaço: mostrar que vale a pena.
Espero ter conseguido transmitir não só minhas angústias, mas também minhas conquistas e descobertas na busca pela maternidade, na luta contra a infertilidade em busca de ser mãe.

Para quem acompanhou minha história, foram 8 anos de tentativas, começando com exames, indução de fertilização e 4 FIV (Fertilizações In Vitro).
Não tinha pretensões técnicas neste blog, mas sim criar um espaço de desabafo neste longo processo que eu até já escrevi, que por mais que o companheiro dê apoio, é um caminho em que sentimos bastante solidão quando as notícias não são as melhores.
Depois de tudo isso, só posso reafirmar o que escrevi inúmeras vezes: “vale a pena, não desistam”. Ter hoje o meu filho nos braços que já está com 2 meses, ver o primeiro sorriso banguela para mim, sentir o calorzinho dele enquanto amamento e poder planejar como será nosso futuro, é indescritível.
Para quem leu toda a minha história, que fique este registro de otimismo, marcado pela realidade dos tropeços e angústias no meio da caminhada, mas chegamos lá com lágrimas de alegria.

E agora este será o último post... é um momento de alegria, mas confesso que sentirei falta de ter vocês que sempre me acompanharam de perto. E só posso agradecer a todo apoio que sempre me deram, aqui nos comentários ou por email, com uma mensagem de alento, de incentivo e um carinho muito especial.
Fica o registro de uma jornada, agora iniciando um novo ciclo! Beijos no coração de tod@s e até mais!

P.S. 1 -  Ainda continuo no email daniela.pessoa.blog@gmail.com
P.S. 2 - Talvez eu escreva outro blog com as aventuras da maternidade, avisarei a tod@s



Relato do meu parto


Pois então chegou o dia tão esperado! Foi um sábado e na sexta à tarde tentei ficar calma. Fui até a loja resolver problema da piscina da casa nova que estamos construindo, depois descansei um pouco, fiz a revisão da mala de maternidade e passei o restante do tempo esticada no sofá. Meu marido ficou mais tenso e eu não senti tantas contrações doloridas como vinha sentindo nos últimos dias. Aliás, a barriga cresce muito nas duas últimas semanas, é incrível!
No sábado acordamos de madrugada porque a recomendação era para chegar às 6h30. Tomei um banho acariciando a barriga já para me despedir dela. Pegamos um táxi para facilitar e parecia que eu estava de mudança com tanta mala que levei! Logo depois do cadastro de internação, fui ao quarto e tentei relaxar, mas quando apareceu a enfermeira com a maca, meu coração acelerou e eu tive uma crise de riso nervoso, isso acontece sempre nos momentos tensos. Fico “rindo de nervoso”, como dizem lá no interior onde nasci.
Segui para a sala de cirurgia e meu marido ficou em uma sala ao lado, ainda no centro cirúrgico para colocar aquela roupa que evita contaminação. A anestesista era muito simpática, logo vieram colocando o acesso no braço e a picadinha dói um pouco. Passam o líquido gelado nas costas para a limpeza, posição de índio com as costas curvadas e lá vai a picada da anestesia na coluna. Não dói lá essas coisas, muito suportável, pois o que pega mesmo é o nervosismo e a ansiedade que a gente não liga muito para esta parte.
Me deitaram e as pernas começaram a formigar, apesar de ainda senti-las. Senti quando colocaram a sonda, que é meio chatinho e, como as pernas estão na posição “de borboleta” para a sonda nesta momento inicial da anestesia, o engraçado (mas nem cômico) é que esta foi a memória que ficou durante todo o parto. Parecia que minhas pernas estavam dobradas o tempo todo e eu não via a hora de sair daquela posição, mas na verdade não estava. Vi isso quando acabou o parto e, durante a limpeza, colocaram minha perna lá no alto, perto da luz e parecia uma “perna alheia”... kkkkk

Logo depois da sonda, senti minha pressão cair, acho que era a ansiedade, mas a anestesia fica conversando conosco e monitorando o tempo todo. Eu disse que estava nervosa e o médico disse que nem precisava comentar porque ele estava vendo no aparelho de monitoramento cardíaco.

Ah, esqueci de comentar: como meu parto era de risco por causa dos miomas, foram dois médicos: minha obstetra e o pai dela que é um dos médicos responsáveis pela clínica, extremamente experiente. Para quem lembra, tenho 14 miomas no total, sendo 3 gigantes (cerca de 10cm de diâmetro cada, maiores que uma laranja) e um outro que está bem na parte de trás do útero, que surgiu durante a gravidez, um pouco maior que estes ainda! Sem esquecer do mioma “malvado” que também surgiu na gravidez e tive que fazer uma cirurgia em maio porque eles estava saindo do útero e gerando sangramento, com um pólipo junto. A notícia ótima é que nada disso afetou e o parto foi bem tranquilo. Só perdi um pouco mais de sangue que o normal, mas não precisei de nenhum outro procedimento.
Mas aí vem a parte mais emocionante: depois que testam se anestesia fez efeito (quando perdemos a sensibilidade das pernas e barriga), começam a cortar com o bisturi elétrico, vem aquele cheirinho de queimado e chamam o marido. Ele entrou e eu estava com a tradicional “cara de coruja” com os olhos arregalados e um pouco assustada, não sei explicar o porquê, acho que é um momento tão esperado que ficamos atônitas pelo misto de emoções.
Alguns segundos depois ouvi o choro e meu coração disparou. Ouvi os médicos dizendo: “Que meninão” e então nos mostraram nosso bebê... Tão emocionante que chorei e fiquei paralisada ao mesmo tempo... Eles só mostram e vão lavar. Alguns minutos depois voltam com ele, já com a touca e embrulhadinho para as fotos, é muito emocionante, não dá para explicar. É bem rápido tudo isso que só dá vontade de sair dali logo para segurar o bebê. Mas infelizmente demora um pouco. O marido sai e eu fiquei lá para ser costurada. Demora um pouquinho e dá aflição. Assim como sentimos uma “pressão” quando vão tirar o bebê, dá para sentir que estão mexendo para fazer os pontos, nada de dor, só uma sensação estranha.
Quando tudo isso terminou, ainda com as pernas anestesiadas, a enfermeira me levou pelo corredor e pude ver no berçário o meu bebê, lindo e sereno... no outro lado do vidro, meu marido chorando muito, minha mãe, meu irmão e minha cunhada. Eu comecei a chorar e estava com o nariz já entupido, fiquei agoniada sem respirar e queria levantar para pegar meu filho, mas me levaram rapidinho para o quarto e logo o trouxeram para a primeira mamada.
Foi meio desajeitada, mas é uma sensação maravilhosa de plenitude e realização. È a natureza e o instinto em ação, a emoção aflorando e as expectativas se concretizando. Não vou dizer que sai leite na hora – e depois até contarei meu dilema com a amamentação – mas poder abraçar aquele ser tão indefeso e tão perfeito é o ápice da nossa existência.
Acho que é isso, tem tantas outras histórias que gostaria de contar, mas o momento do parto foi assim... ficará na minha memória e marcado no coração como a maior realização da minha vida!!!


39 semanas: nosso guerreiro chegou!!! (e só agora consigo fazer a postagem... rs)


Gente, abandonei a todos sem notícia... Foi muito corrido, mas no bom sentido e nosso guerreiro chegou no dia 02 de julho, com muita saúde e é tudo de bom!!! Estou apaixonada por ele, mas posso garantir que o ritmo é tão intenso que só agora consegui fazer a postagem.
Mas, calma, vou contar tudo com detalhes! Até porque quero registrar tudo aqui para a posteridade (para me lembrar um dia) e, principalmente, para incentivar a todas as mulheres que passam (ou passaram) por algo parecido com minha história para dar força e reafirmar o que sempre escrevo aqui: “Vale a pena, não desistam, please!”.
No finalzinho da gravidez, senti muitas dores e quase não dormia, acho que era um preparo para a etapa seguinte que é hardcore... kkkk. Fiquei no impasse com a minha obstetra se seria parto normal ou cesárea, mas na 38ª semana decidimos que seria mesmo mais prudente uma cesariana e então agendamos para o sábado seguinte.
Ufa, no finalzinho dá ao mesmo tempo uma ansiedade para ver o bebê e também um “apego” à barriga, pois é um momento único em nossas vidas e possivelmente não passarei por outra gravidez. Tentei curtir ao máximo a minha barriga. Já estava afastada do trabalho desde a 36ª semana, apesar de ficar trabalhando em casa no esquema home office, até para não ficar só pensando no parto e tal. Obviamente é inevitável que nosso histórico de pesquisa do Google só tenha informações sobre parto e, quando eu perdi o sono na madrugada, ficava assistindo aos relatos no Youtube. Normal, né?!
O quarto do bebê só ficou pronto um dia antes, pois antes tinha muita coisa do meu marido lá, mas não me importei tanto porque sei que nos primeiros dias o bebê ficará no carrinho em nosso quarto.
Mas vamos ao que interessa! O parto!!! Sim, vou contar tudo no próximo post!!!


quarta-feira, 22 de junho de 2016

37 semanas: cada vez mais perto!



Gente, não é que meu guerreiro está aguentando firme aqui? Contrariando as estatísticas, conseguimos chegar até a 37ª semana, uma vitória!!!
Nesta segunda-feira fizemos o último ultrassom e está tudo ótimo. Ele está com 50 cm e quase 3,5 Kg. Uma belezinha. Como há pouco espaço na barriga, não dá para ver muito bem o rostinho dele, mas está com a cabecinha encaixada e os pés fazendo “legpress” nas minhas costelas. A placenta ainda é grau 2, o que demonstra que ele pode continuar mais um tempo aqui dentro, no ninho.
Só não se se aguento muito mais, tenho sentido muito cansaço, contrações à noite (começam às 22h e se estendem pela madrugada), o que me impede de dormir. Passo as noites acordada e com medo de ir ao hospital, ainda mais que está um friozinho.... rs.
As contrações tem se intensificado, mas não são regulares como as de trabalho de parto ainda, são as de treinamento. A barriga começa a ficar dura na parte de cima, depois fica toda enrijecida e dá um dor lá embaixo, como se fosse uma cólica menstrual. Sinto que o bebê já encaixou também, principalmente quando sento.  Isso aconteceu na Semana 36, a barriga desceu e senti que ele já estava descendo, a dor nas costas e a falta de ar melhoraram, até a azia diminui. O que fica ruim agora são as cólicas e dificuldade de locomoção.
Às vezes fico preocupada porque o bebê se mexe pouco, mas disseram que realmente fica apertadinho, então como algo doce porque a glicose o deixa mais agitado e eu fico mais tranquila!
Parei de trabalhar na semana passada, no dia 13 de julho. Fiquei em casa terminando algumas atividades online (por email, Skype whatsApp, já que a tecnologia ajuda!). Estou tentando me envolver menos com problemas do trabalho, o que acaba sendo difícil para uma pessoa workaholic como eu. Tenho aproveitado para pensar sobre o parto e aprender sobre os primeiros cuidados com o bebê.
Tem vídeos bem interessantes no Youtube e aprendi muito sobre como dar banho no bebê, rotinas para o sono, amamentação, cólica e também sobre o parto em si.
Ah, o parto... isso está me deixando super ansiosa! Eu passei a gravidez toda com os perrengues de idas ao hospital com a certeza de que seria cesárea. No começo estava com 3 médicas, depois fiquei com 2 me acompanhando e, após o episódio da retirada do pólipo, escolhi uma delas e estamos nos encontrando em consultas semanais.
O que ela me disse, há15 dias, é que posso até tentar o parto normal e isso deu um nó na minha cabeça. Ela comentou que seria até melhor para minha recuperação para o útero voltar ao normal. E aí pensei, o que acontece com os miomas? Eles podem se romper durante as contrações? Não sei, ainda não estou muito segura sobre isso.
O que combinamos foi o seguinte: parei com o Utrogestan na semana 36, passei a monitorar as contrações e, dependendo de como for, se eu aguentar as dores do trabalho de parto, decido de será normal ou cesárea.  
Amanhã tenho consulta e teremos que tomar um decisão, algo bem difícil porque gera muito medo e às vezes, lidamos até com alguns mitos que nos afligem. Contarei para vocês como será... Bjs






sexta-feira, 10 de junho de 2016

36 semanas: está chegando...



Hoje foi meu último dia no trabalho. Me despedi do pessoal, deixei assinada a carta de promoção de uma funcionária muito querida para ser supervisora, mas tive que deixar também pronta a de demissão de um coordenador. Acontece... tenho que me desligar do trabalho agora e me preparar integralmente para a chegada do bebê.
Como toda mãe, já assisti dezenas de vídeos no Youtube sobre parto, recuperação pós-parto, como fazer a mala do bebê para maternidade (e da mãe), como amamentar e como fazer o bebê dormir.
Estou lendo “A Encantadora de Bebês” e me recomendaram “Nana Nenê” (algo assim, assim não procurei, mas parece que a metodologia do autor é questiona por alguns, vou me inteirar sobre o assunto).
Também é engraçado perceber como os “medos e ansiedades” da gravidez vão mudando ao longo das semanas. Que diga o Google, o grande oráculo que sabe de tudo sobre nós pelos histórico de nossas pesquisas... kkkkk.
Nos primeiro trimestre, tentamos entender as mudanças em nosso corpo, os enjoos, o medo do aborto prematuro e sangramentos, até a primeira vez que o bebê vai mexer. Então no segundo trimestre, nos preocupamos sobre alimentação, se o ultrassom está tudo bem e ele está crescendo dentro da curva de controle, começamos a pensar na decoração do quarto e enxoval. Já no terceiro trimestre, as preocupações com o tipo de parto, como será a recuperação e na organização das tarefas que antes eram prioridade no trabalho serão esquecidas por um tempo. A noção de tempo mudará e mesmo que na fase final a gente se prepare para fazer uma “reserva de sono”, as noites são mal dormidas porque a barriga não deixa. Eu até que tento dormir do lado esquerdo como a médica recomendou, mas no meu da noite acabo me virando, então virou de novo.
Agora minhas preocupações também passam pelos movimentos do bebê. Tem dia em que ele se mexe mais, em outros, quase nada. Aí a neurose faz a gente buscar algo na internet. Tem uma baboseira nos fóruns e, como já disse antes e podem me crucificar, que dificuldade no português tem algumas pessoas... vixi... quanto erro de ortografia absurdo, dificuldade em formar uma frase que fica difícil buscar uma fonte de credibilidade. Tento artigos mais científicos da área médica, mas são escassos para alguns questionamentos. Desculpem o desabafo, pois a internet é um espaço livre, democrático e inclusivo, mas escolher as fontes é importante, sempre digo isso aos meus orientandos de TCC, tanto da graduação como da pós-graduação.
Bom, já tomei todas as vacinas, fiz exames de curva glicêmica, hemograma, urina (várias vezes) e o tal do Streptococcus Agalactiae, tudo em ordem. Pressão controlada na média de 11 x 7 e os 18 kg a mais que pretendo perder nos primeiros meses.
Já estou sentindo contrações de treinamento mais intensas e a médica pediu para que nesta semana eu pare de usar o Utrogestan, para deixa a natureza agir. Gente, dá um apeguei de tal forma à Progesterona, que estou morrendo de medo de parar. Mas a médica disse que após as 36 semanas, ela perde sua eficácia, então vamos lá, respirar fundo, parar o uso da medicação e esperar o meu bebezinho tão querido chegar...



terça-feira, 7 de junho de 2016

30 semanas até 35 semanas: muitas emoções, cirurgia e também comemorações



Gente, desapareci, não é?! Pois é, muitas coisas aconteceram no dia seguinte ao último post. Vou tentar resgatar aqui os principais acontecimentos, pois é como sempre digo, a vida tem que ser “como passeio de buggy no Nordeste, só tem graça se for com emoção”. Então vamos lá, vou tentar lembrar de tudo.
  • Semana 30: Tudo caminhava muito bem, eu me sentia disposta para organizar o enxoval do bebê, curtindo lavar as roupinhas, passar tudo (mesmo que sentada na cama para não fazer esforço) e organizar tudo para a chegada tão esperada. Apesar do meu marido encher o saco que estava comprando coisas demais – homens.... Agora que estou realizando o meu maior sonho, não poderia me poupar desta felicidade de cuidar das coisinhas do bebê (desculpem pela revolta, ele acha que tudo é desnecessário...).
Estava trabalhado normal até que em um sábado senti algo estranho lá embaixo, parecia que tinha alguma coisa querendo sair. Como no dia anterior tinha abusado um pouco, porque meu marido me deu carona para voltar do trabalho (já que não posso dirigir deste o início da gravidez), mas ele estava atrasado e me deixou a 4 quarteirões de casa. Fui andando, mas não fazia isso desde o início da gravidez. Me cansei, mas fui devagar e achei que não teria impacto. Tomei um Buscopan e fui dormir. Eis que no sábado não amanheci legal e nem fui trabalhar. No final do dia, quando fui tomar banho, senti que saiu uma secreção diferente, era parte do tampão mucoso!
Fiquei em pânico porque já tinha visto foto de tampão mucoso. Aí continuou saindo alguns pedaços durante o banho e o último tinha um pouco de sangue. Tirei foto e mandei para a médica. Não vou colocar a foto aqui porque é meio nojento. Ela respondeu para ir ao pronto socorro por precaução. Mas enquanto me trocava, começou a sair mais e a escorrer sangue vermelho vivo, entrei em pânico!
Meu marido me levou às pressas para o hospital e com minha mala que já estava pronta (a do bebê ainda não, mas depois daria um jeito dependendo do que acontecesse). O médico plantonista era o mesmo que me atendeu na ameaça de aborto (com descolamento da placenta na 10ª semana e quando tive contrações na madrugada na 20ª semana). Ele perguntou: “você aqui de novo?”. Pois é, mas desta vez era sério. Não conseguiu ouvir o coração do bebê muito bem e no exame de toque viu que o sangue estava saindo do interior do útero e a suspeita era descolamento de placenta (o que poderia exigir um parto de emergência).
Fiz um ultrassom de emergência (isso já era uma 22h do sábado) e o bebê estava bem, ufa! Mas ao voltar com o médico, ele quis fazer outro exame de toque para entender o motivo do sangramento. Aí ele suspeito que um dos miomas, o tal do “mioma parido” ou pólipo, estava saindo do útero e forçando a abertura. Pediu minha internação para que a médica viesse me ver no dia seguinte.
A médica estava fora da cidade, então passei o domingão em observação no hospital, o sangramento continuava, um fator de preocupação. Na segunda ela veio me ver pela manhã e após o exame, suspeitou que pudesse ser o mioma saindo ou um pólipo. Fiquei em jejum e à tarde fiz a cirurgia para retirada.
Me levaram naquela maca até o centro cirúrgico, fui morrendo de medo. Meu marido ficou no quarto me aguardando e então começou o procedimento para extração. Detalhe: sem anestesia! Juro, doeu demais, mas aguentei firme, porque a anestesia poderia afetar o bebê. Senti vontade de desmaiar, foram os 30 minutos mais doloridos da minha vida, mas segurei até o final. A médica me mostrou, era um pedaço de tecido, com uma 5 cm de comprimento, comprido, com bastante sangue, que foi para biopsia. O pior é que ela deixou umas 5 gazes dentro da vagina para estancar o sangramento e eu teria que tirar à noite. Fui para o quarto repousar, com muita dor, mas feliz porque tudo deu certo.
Putz, quando tirei, estava sozinha no quarto, meu marido teve que sair para trabalhar e minha família mora longe (a sogra não conta, não se envolve e até prefiro). Cada gaze que saía era uma dor absurda, mas conseguir puxar todas. Deu um pouco de tontura, chamei a enfermeira e ela disse que minha pressão estava normal e era para repousar.
No dia seguinte, fiz um novo ultrassom, a médica me acompanhou, muito fofa e gentil. Vimos que o colo está fechado, intacto e com ótima espessura. Pronto, tudo certo, tive alta e fui para a casa!

  • 31 semanas: Depois de tanto susto, fique me recuperando em casa por alguns dias, trabalhando em home office. Saí para tomar a vacina de Hepatite B e a Tríplice. O sangramento escuro que a médica disse que ficaria no pós-operatório continuou por alguns dias, em tom escuro e em pouca quantidade. Mantive o Utrogestan por 3 vezes ao dia e tentei ficar mais quieta neste período.
A biópsia chegou e era mesmo um pólipo que foi extraído. Era ele estava “saindo” do útero, empurrando o tampão e gerando sangramento. Era benigno e foi um susto, mais um episódio que nos fortalece neste processo todo.

  • 32 semanas: Já estava me sentindo bem e retornei ao trabalho, ficando cerca de 3 a 4 horas. Só deu um pouco de trabalho porque tivemos que recepcionar alguns gringos e eu organizava a agenda de atividades, mas não podia ir às empresas para acompanhar, ficava gerenciamento de minha sala. Tirando a azia e falta de ar, me sinto bem.
Me recuperei do susto e voltei a ganhar confiança. Continuo no repouso intermediário, sem dirigir (isso só depois da recuperação do parto), só cozinhando um pouco e às vezes e no trabalho, fico sentadinha, me levantando só para ir ao banheiro. E por falar em ir ao banheiro, são várias visitas para o xixi noturno, isso está me fazendo dormir muito mal, pouquíssimas horas por noite e um sono “picado”, o que me deixa bem cansada.

  • 33 semanas: Estive em consulta médica e parece que tudo está caminhando bem! Estou sentindo um pouco cansada, mas é normal porque a barriga cresceu e tenho dormido pouco. A azia piora à noite, mas a médica disse que posso tomar Ranitidina, o que aliviará bastante. A minha dor nas costas que está estranha, na altura dos pulmões e não na lombar – mas parece ser postural porque fico com o notebook no colo trabalhando em casa – e não é pneumonia, pois não tenho tosse ou secreção, o que seria péssimo.
Apesar de estar com 80 kg (vixi, nunca pensei que chegaria a tanto), a médica falou que estou na média de ganho de peso (ainda.... mas tenho que controlar) e que, pasmem... posso até tentar o parto normal. Esta notícia foi novidade, mas acho que não vale o risco, preciso pensar melhor. Meu marido está pressionando pelo parto normal deste então, mas não decidi e prefiro aguardar as cenas do próximo capítulo.

  • 34 semanas: Tudo bem, só azia e falta de ar, com noites mal dormidas, o básico desta fase da gravidez. Fiz ultrassom e o bebê já está com 46 cm e quase 2700 kg. Que belezinha! Só não consegui ver o rostinho dele porque colocou o braço na frente, é tímido.
Depois de muito, muito esforço, convenci meu marido a passar na loja para comprar um carrinho para o bebê. Já é o momento e é possível que nos primeiros dias, ele fique conosco no quarto. Escolhi um carrinho que é também moisés e o bebê conforto que encaixa no carro. Achei bonito, mas depois quando fui colocar no carro na saída da loja, vi que é um mega trambolho.

  • 35 semanas: Ainda estou persistindo em trabalhar, mas não consigo ficar muito tempo. Muitas mudanças estão acontecendo no trabalho e estou tentando não me afetar pelo stress.
Gostaria de comprar algumas coisas que faltam para o quarto do bebê, como um aquecedor e um tapete, por exemplo, mas meu marido fala que e é bobeira, que não pode me levar para comprar porque está ocupado e então o jeito será comprar pela internet. Meu carro continua parado na garagem há meses e ele não me deixa pegar taxi. Por fim, fico bem aprisionada. Depender dele me chateia, porque ele tem os próprios compromissos e não quero atrapalhar, mas deixei de fazer várias coisas que gostaria de ter realizado durante a gravidez por esta falta de mobilidade. Sinto até falta de poder ir ao mercado e comprar coisinhas que às vezes me dá vontade de comer. Como ele não quer que eu engorde, só posso comer frutas, um saco. Sinto falta de minha liberdade, mas foi é uma fase, tudo vai dar certo!

Agora entrando na contagem regressiva!!!


domingo, 24 de abril de 2016

Comemorando mais de 300 mil acessos... Obrigada!!!!!!!

Acabei de me dar contar que o blog já tem quase 310.000 acessos, uau!!!!!!!!
Agradeço muito por todo apoio que tenho recebido nesta jornada e pela possibilidade de ajudar outras mulheres que se encontram em dilemas como os que tenho passado.
A internet tem um alcance imenso e espero continuar trazendo boas notícias a todos. O processo não foi fácil, passei por frustrações, dúvidas e muita ansiedade. Foram longas horas em consultórios médicos, exames, resultados frustrantes, injeções e medicamentos. Até que um dia a felicidade chega com uma notícia maravilhosa.

Por isso deixa a mensagem: não desistam, tudo vale a pena e a consciência de que passaremos por momentos complicados faz parte de tudo isso. Mas, por favor, não deixem de tentar tudo o que é possível.
Tenho curtido cada momento desta gravidez, mesmo quando preciso ir ao hospital, cada visita ao pronto-socorro me torna mais forte.
Tive que tomar decisões importantes neste processo e uma delas foi declinar a uma proposta de trabalho pela qual tinha esperado muito, uma chance de assumir cargo de direção, com um excelente salário e responsabilidade, para o qual tinha me preparado. Mas foi em um momento em que estava realizando o projeto mais importante da minha vida, o de ser mãe.
Ainda vivo os conflitos entre a decisão pela maternidade e continuar trabalhando. Não sei o que será no retorno da minha licença e vou tentar não pensar nisso, pois muito em breve terei nos braços a pessoa que mais precisará de mim neste mundo.
Mais uma vez, obrigada pelos acessos, pelo apoio, pelos comentários, pelos e-mails e mensagens de carinho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



23 semanas até 29 semanas: um resumo dos acontecimentos



Meninas, como sumi total, vou tentar resumir o que aconteceu nos últimos tempos. Foram tantas coisas que possivelmente vou esquecer muitas passagens e tentarei colocar aqui o que mais me marcou. Vamos lá... acho que ficou longo, só para quem tem paciência para aguentar minhas  neuras no relato.

  • Semana 23: Foi a semana do meu níver, cheguei aos 3.9 e com o meu maior presente na barriga! Tudo transcorreu bem, apesar de sentir algumas contrações. A novidade desta semana foi que saí para ver o berço e outros móveis do quarto do bebê. Passei em algumas lojas e achei o material muito frágil, então resolvi comprar em uma loja em que o preço é um pouco maior que as demais, mas senti que é mais resistência e seguro. N
Não vou colocar muita coisa no quarto, então teremos apenas o berço com gaveteiro e uma cama auxiliar acoplados e uma cômoda. Optei por não ter cadeira de amamentação, pois a cama auxiliar fará este papel e, se bem me conheço, ficarei no sofá vendo TV. Se sentir necessidade, tem uma nova que faz pronta entrega, vamos ver como será.

  • Semana 24: A semana foi tranquila, sem muitas novidades. Tenho sentido muita, muita azia e então haja Milanta Plus e pastilhas de magnésia. Ela chega mais à noite, mas ainda assim não perco o apetite. Acabei perdendo as roupas porque a barriga está crescendo rápido, mas estou rechonchuda como um todo, batendo 76 kg, ufa, logo chegarei aos 80 kg, um susto a cada vez que subo na balança. Estava com 64 kg quando engravidei e não posso descuidar.
Agora todos me tratam com cuidado, é muito engraçado. Tem pessoas que não sabiam de mnha gravidez, mas a barriga pontuda e saliente não tem como esconder - e estou a exibindo com  maior orgulho!

  • Semana 25: Mais um susto. Voltei a sentir contrações e fiquei uns 3 a 4 dias sem sentir o bebê. Comentei com algumas amigas que já são mães e disseram que isso não pode acontecer, que deveria ir ao hospital o mais rápido possível.
Cheguei ao PS perto de meia noite e o médico do plantão era o mesmo de dezembro, de quando tive descolamento da placenta. Ele lembrou e deu outra bronca porque não posso demorar para ir ao médico se não sentir o bebê. Ele fez exame de toque e tudo bem. Mas ao colocar o aparelho para ouvir o coração, demorou para achar, foi um dos momentos mais tensos da gravidez e vi isso também no olhar do meu marido. Foram segundos aterrorizantes. Finalmente ele ouviu o coração, mas apertou a barriga e o bebê não respondeu, então por prevenção fui encaminhada a um ultrassom de urgência na madrugada. Estava tudo bem, só o bebê mais quieto mesmo, já com mais de 30 cm e mais de 1 kg. Ufa, voltei para casa descansar e não fui trabalhar no dia, seguinte, fiquei em home office.

  • Semana 26: Foi uma semana em que me senti bem e aproveitei para fazer as compras do enxoval do bebê. Fui até a Feira do Bebê e Gestante em um shopping da cidade e fiz tudo aquilo que disse que não faria: enlouqueci e comprei um monte de coisa, mas tudo bem. Estava muito feliz e já tinha feito uma reservinha de dinheiro para isso. Comprei um kit berço e escolhi a decoração do quarto que terá o tema “safari”.
Também consegui, depois de uma intensa peregrinação em várias clínicas particulares da cidade, tomar a vacina contra H1N1. Só consegui a trivalente, mas está bom porque estou imunizada para o vírus mais crítico. Não tive reação, tudo normal.
Outra coisa bacana desta semana foi que as meninas da equipe fizeram um chá de bebê surpresa para mim, foi emocionante! Até o meu marido sabia, o chefe bancou tudo, um mega buffet e toda a galera do trabalho estava presente, foi demais! Ganhei bastante coisa e teve até brincadeirinhas para adivinhar quem deu para mimo, fiquei feliz demais.

  • Semana 27: Me senti bem, sem novidades, apenas aproveitei para organizar as roupinhas do bebê. Lavei tudo com sabão neutro e amaciante específico para bebês. Depois de tudo seco, como não posso me esforçar, passei as roupas sentadas na cama. A cena devia estar hilária, mas fiz tudo em doses homeopáticas, um pouco por dia. Até tentei pedir para a faxineira me ajudar, mas ele fez com má vontade que desisti. Além disso, foi algo que curti fazer, parte do processo de preparação para a chegada do bebê.
O que senti de diferente nesta semana, quanto ao meu corpo, acho que por causa do calor ou por ter ficado mais tempo no trabalho sentada, foi um inchado absurdo nas pernas e nos pés. Fiquei sem tornozelo... kkkkkk... os pés pareciam dois pãezinhos franceses, nenhum sapato entrava. Fiquei com os pés para cima, coloquei os pés de molho em água quente com sal grosso e só depois de 3 dias melhorou. Acho que deveria ter feito drenagem linfática, mas como estou sem poder dirigir e dependo de meu marido, nem fui. Acabou melhorando, apesar de continuar mais inchado que o normal e nem todos os sapatos servirem. Os saltos eu abandonei logo no início da gravidez, com uns 2 meses, mas agora o pé está maior mesmo, espero que depois volte ao normal (se bem que amigas disseram não voltar e que passaram a calçar um número maior depois da gravidez).
Como a minha pressão subiu um pouco e, associado ao inchaço, este é um fator de risco a ser monitorado nesta etapa da gravidez e também devido à minha idade, por risco de eclampsia. Não estou neste caso, mas como prevenção, estou no maior controle do sal.

  • Semana 28: Foi uma semana importante porque tomei as duas injeções de Celestone Solupan, um corticoide para amadurecer os pulmões do bebê. Foram duas doses em um dia e duas no outro. Não vou mentir, arde um pouquinho e tem que ser no bumbum, nada insuportável. Pra quem já tomou tanta injeção nas FIVs, não é???? De efeito colateral, um pouco de inchaço.
Nesta semana, estava no trabalho, sentadinha e bem comportada, mas comecei a sentir cólicas e contrações. Minha barriga ficou dura e as contrações continuaram a cada hora. Liguei para meu marido me pegar –já que não dirijo há muito tempo, por ordens médicas – e fiquei em casa deitada, preferencialmente do lado esquerdo. Mas as contrações continuaram a noite toda, tomei Dactil e Buscopan. Acordei e continuavam. Então mandei um WhatsApp para as duas médicas que fazem o meu pré-natal e ambas responderam prontamente. Disseram para ir ao hospital para verificar se não estava com dilatação ou ir à clínica. Fui à clinica e uma delas no dia, que fez exame de toque e estava tudo bem, fiquei mais tranquila. No dia seguinte, fui à outra médica, que confirmou e pediu para monitorar tanto as contrações como os movimentos do bebê, pois às vezes ele fica muito quieto. Ela suspeita que o bebê que estava sentado já encaixou de cabeça para baixo, mas pediu ultrassom para confirmar.
Então, se o bebê ficar mais de 8 a 10 horas sem se mexer, não é normal. Devo comer algo, preferencialmente doce, como chocolate, deitar e aguardar alguns minutos. Se ele não se mexer, ir ao hospital por precaução. Ela disse que há realmente bebês que mexem menos ou que fica mais difícil por causa do espaço no útero, mas não podemos deixar de sentir as “mexidas” ou “chutes”.


  • Semana 29: Aproveitando o feriado para descansar, terminei de lavar e passar as roupas do bebê. Agora está tudo comprado, só falta chegar o berço, que está previsto para meados de maio. Isso achei bem ruim na loja, que tem móveis e um atendimento ótimo, mas demoram 60 dias para entregar. Tô com medo que o bebê chegue antes dos móveis e o quarto que será dele ainda está uma bagunça, com um monte de coisa entulhada. Preciso agilizar isso nesta semana e começar a montar a mala de maternidade do bebê.
Acho que é só..........................