terça-feira, 11 de julho de 2017

Voltando depois de muuuuuito tempo para contar as novidades

Pessoal, depois de tanto tempo, apareço aqui para trazer notícias e contar o que tem acontecido desde então. Nossa, é tanta coisa que não sei nem por onde começar... Senta que lá vem "textão"!

Meu pequeno fez um ano na semana passada e fiquei pensando em todo o processo da FIV, os anos de espera e sofrimento, mas a felicidade que nos preenche é tão imensa que fica difícil descrever. E acho que foi por isso que escrevi este blog, para lembrar da minha história e para inspirar quem passou pelos mesmos problemas e mostrar que vale a pena. Pode não ser fácil, mas o apoio, mesmo à distância de pessoas que compartilham os dilemas deste jornada ajuda imensamente.

Antes de começar, quero registrar aqui o quanto é gratificante receber as mensagens (ainda estou no email daniela.pessoa.blog@gmail.com) com os relatos, as histórias e os desabafos. Vamos nos falando e nos ajudando. Tem os comentários aqui no blog também e estou tentando atualizar tudo. Fiquei muito tempo sem ler e agora estou tentando colocar tudo em dia.

Me emocionei demais por poder inspirar outras mulheres, por saber que muitas conseguiram realizar seu sonho como eu, mas me solidarizei com aquelas que estão em processo (porque sei que também vão conseguir !).

Fiquei em choque - de felicidade - porque o blog tem mais de 750 mil acessos. Caraca, é muita gente! Nem sei como agradecer a todas que me acompanharam neste processo louco é desgastante da luta contra a infertilidade . A maternidade é mágica e vale cada segundo das batalhas que travamos.

São 12 meses que meu pequeno completou e tanta coisa aconteceu que parece muito mais, a gente perde a noção de tempo... É bem verdade que não durmo uma noite inteira de sono desde então (sorte das mães que disciplinam o bebê ). Não sei se sou molenga com isso, mas não acertei ainda este ponto.

Desde que saí da maternidade com meu pacotinho, minha vida mudou. E eu mudei muito. Amo demais meu bebê, mas ainda continuo trabalhando bastante, só que isso não é mais o meu foco. Tive apenas 4 meses de licença e foi muito pouco... Pensei em não voltar a trabalhar, mas sou a provedora da casa. Quem pode ficar 6 meses em casa, com certeza é muito melhor. E quando a licença vai chegando ao fim, um grande dilema é: "volto a trabalhar ou não?". Muitos palpites e julgamentos à parte, isso vai marcar muito esta fase. Pensei em empreender, em mudar minha vida radicalmente ou ficar só um tempo em casa com ele já tinha feito uma poupança para isso. Mas além da questão financeira, pesou o fato da dificuldade em depois de um tempo voltar ao mercado de trabalho, então me aventurei a me dividir entre retorno ao emprego, cuidados com o bebê e com as rotinas da casa. Tripla jornada dá um cansaço, mas acho que dá para levar. Sei que não estou rendendo o mesmo no trabalho, mas busco fazer o meu melhor.

E por falar em trabalho, senti o quanto o mercado é cruel com as mães. Se antes eu precisar de desdobrar para mostrar minha competência por ser mulher em meio a julgamentos misóginos no trabalho, agora tenho que fazer muito mais para mostrar que ser mãe não me faz uma profissional com pior desempenho. Mas é foda, não consigo explicar porque as mulheres também me julgam. Depois escreverei um post só sobre episódios sobre isso, narrando as cenas com estas barbaridades que tenho enfrentado.

E tenho que assumir toda a minha corujice! A gente muda e acha que nossa cria é a mais linda sempre... kkkk. Meu pequeno é a cara do pai, realmente fui só o forninho mesmo.

Ainda tenho 3 embriões congelados e estou pagando a anuidade. Não sei bem se conseguirei - fisicamente e psicologicamente - ser mãe novamente . Tudo foi tão intenso e eu preciso me recompor. Estou doando quase todas as roupinhas, mas uma ou outra que tenho mais apego até estou guardando porque, no meu íntimo, ainda penso em mais um.

Ser mãe aos 40 me permitiu usufruir da maturidade intelectual e financeira, mas posso dizer que o corpitcho dá uma arriada de cansaço ... kkkk. Como engordei 28 kg na gravidez, 12 ainda continuam comigo. Realmente o corpo toma novas formas, mas o meu está demorando um pouco a voltar. Estou comendo errado, o que juntando com o stress no trabalho e o sedentarismo não dá para esperar mágica mesmo :(

Outra coisa que pega é o desejo sexual. Falta a libido, juntando com o cansaço e a nova rotina, mas depois vai voltando, as coisas vão se ajeitando.

Somente menstruei após 11 meses, bem no período em que parei de amamentar. Foi uma decisão minha, mas o leite já estava secando e ele se alimentava bem. Tomei o anticoncepcional Nactali até os 4 meses, mas quando a licença acabou e voltei ao trabalho, minha rotina se desregulou, eu esquecia de tomar e acabei parando.

Os miomas continuam aqui comigo! Os de sempre (mais encorpados depois das doses de hormônios com a gravidez) e vários novos. No último exame de ultrassom, a médica contou 14!!!! E 2 continuam com mais de 11cm de diâmetro. Sinto dores e eles incomodam, estão empurrando os órgãos e, por mais que eu queira evitar, terei que remover meu útero. A ideia me apavora, mas infelizmente será necessário.

Tenho histórias engraçadas da maternidade que vou contar depois para vocês, no nível daquele dia em que fui ao shopping de pantufas e nem tinha me dado conta!

Venci a propensa em ter depressão pós-parto e a maternidade só tem me trazido a realização que sempre desejei. Mas tem o lado B que faz parte, sem idealizar: casamento, sexo, trabalho, estética,  emoções, auto-percepção, julgamentos dos outros e os malditos "conselhos". Mas tudo vale a pena, como vale... é difícil explicar.

Para quem está ainda tentando, saiba que vc não está sozinha! Só conte para os outros se puderem ajudar. Caso contrário, não precisamos da piedade de ninguém. E eu sou o exemplo de que é possível! Como os médicos me diziam, superei todas as estatísticas negativas e me honro em poder dizer isso: não desistam!

Estava com saudades de vocês! De tempos em tempos voltarei aqui para contar as novis... Bjs




terça-feira, 13 de setembro de 2016

O último post deste blog



Pois então, depois de uma longa jornada, como o título que dei ao blog quando o criei, chegamos ao fim de uma etapa. Foi um ciclo longo, marcado por várias batalhas. Algumas que trouxeram tristeza, mas muitas com alegria e este foi o papel deste espaço: mostrar que vale a pena.
Espero ter conseguido transmitir não só minhas angústias, mas também minhas conquistas e descobertas na busca pela maternidade, na luta contra a infertilidade em busca de ser mãe.

Para quem acompanhou minha história, foram 8 anos de tentativas, começando com exames, indução de fertilização e 4 FIV (Fertilizações In Vitro).
Não tinha pretensões técnicas neste blog, mas sim criar um espaço de desabafo neste longo processo que eu até já escrevi, que por mais que o companheiro dê apoio, é um caminho em que sentimos bastante solidão quando as notícias não são as melhores.
Depois de tudo isso, só posso reafirmar o que escrevi inúmeras vezes: “vale a pena, não desistam”. Ter hoje o meu filho nos braços que já está com 2 meses, ver o primeiro sorriso banguela para mim, sentir o calorzinho dele enquanto amamento e poder planejar como será nosso futuro, é indescritível.
Para quem leu toda a minha história, que fique este registro de otimismo, marcado pela realidade dos tropeços e angústias no meio da caminhada, mas chegamos lá com lágrimas de alegria.

E agora este será o último post... é um momento de alegria, mas confesso que sentirei falta de ter vocês que sempre me acompanharam de perto. E só posso agradecer a todo apoio que sempre me deram, aqui nos comentários ou por email, com uma mensagem de alento, de incentivo e um carinho muito especial.
Fica o registro de uma jornada, agora iniciando um novo ciclo! Beijos no coração de tod@s e até mais!

P.S. 1 -  Ainda continuo no email daniela.pessoa.blog@gmail.com
P.S. 2 - Talvez eu escreva outro blog com as aventuras da maternidade, avisarei a tod@s



Relato do meu parto


Pois então chegou o dia tão esperado! Foi um sábado e na sexta à tarde tentei ficar calma. Fui até a loja resolver problema da piscina da casa nova que estamos construindo, depois descansei um pouco, fiz a revisão da mala de maternidade e passei o restante do tempo esticada no sofá. Meu marido ficou mais tenso e eu não senti tantas contrações doloridas como vinha sentindo nos últimos dias. Aliás, a barriga cresce muito nas duas últimas semanas, é incrível!
No sábado acordamos de madrugada porque a recomendação era para chegar às 6h30. Tomei um banho acariciando a barriga já para me despedir dela. Pegamos um táxi para facilitar e parecia que eu estava de mudança com tanta mala que levei! Logo depois do cadastro de internação, fui ao quarto e tentei relaxar, mas quando apareceu a enfermeira com a maca, meu coração acelerou e eu tive uma crise de riso nervoso, isso acontece sempre nos momentos tensos. Fico “rindo de nervoso”, como dizem lá no interior onde nasci.
Segui para a sala de cirurgia e meu marido ficou em uma sala ao lado, ainda no centro cirúrgico para colocar aquela roupa que evita contaminação. A anestesista era muito simpática, logo vieram colocando o acesso no braço e a picadinha dói um pouco. Passam o líquido gelado nas costas para a limpeza, posição de índio com as costas curvadas e lá vai a picada da anestesia na coluna. Não dói lá essas coisas, muito suportável, pois o que pega mesmo é o nervosismo e a ansiedade que a gente não liga muito para esta parte.
Me deitaram e as pernas começaram a formigar, apesar de ainda senti-las. Senti quando colocaram a sonda, que é meio chatinho e, como as pernas estão na posição “de borboleta” para a sonda nesta momento inicial da anestesia, o engraçado (mas nem cômico) é que esta foi a memória que ficou durante todo o parto. Parecia que minhas pernas estavam dobradas o tempo todo e eu não via a hora de sair daquela posição, mas na verdade não estava. Vi isso quando acabou o parto e, durante a limpeza, colocaram minha perna lá no alto, perto da luz e parecia uma “perna alheia”... kkkkk

Logo depois da sonda, senti minha pressão cair, acho que era a ansiedade, mas a anestesia fica conversando conosco e monitorando o tempo todo. Eu disse que estava nervosa e o médico disse que nem precisava comentar porque ele estava vendo no aparelho de monitoramento cardíaco.

Ah, esqueci de comentar: como meu parto era de risco por causa dos miomas, foram dois médicos: minha obstetra e o pai dela que é um dos médicos responsáveis pela clínica, extremamente experiente. Para quem lembra, tenho 14 miomas no total, sendo 3 gigantes (cerca de 10cm de diâmetro cada, maiores que uma laranja) e um outro que está bem na parte de trás do útero, que surgiu durante a gravidez, um pouco maior que estes ainda! Sem esquecer do mioma “malvado” que também surgiu na gravidez e tive que fazer uma cirurgia em maio porque eles estava saindo do útero e gerando sangramento, com um pólipo junto. A notícia ótima é que nada disso afetou e o parto foi bem tranquilo. Só perdi um pouco mais de sangue que o normal, mas não precisei de nenhum outro procedimento.
Mas aí vem a parte mais emocionante: depois que testam se anestesia fez efeito (quando perdemos a sensibilidade das pernas e barriga), começam a cortar com o bisturi elétrico, vem aquele cheirinho de queimado e chamam o marido. Ele entrou e eu estava com a tradicional “cara de coruja” com os olhos arregalados e um pouco assustada, não sei explicar o porquê, acho que é um momento tão esperado que ficamos atônitas pelo misto de emoções.
Alguns segundos depois ouvi o choro e meu coração disparou. Ouvi os médicos dizendo: “Que meninão” e então nos mostraram nosso bebê... Tão emocionante que chorei e fiquei paralisada ao mesmo tempo... Eles só mostram e vão lavar. Alguns minutos depois voltam com ele, já com a touca e embrulhadinho para as fotos, é muito emocionante, não dá para explicar. É bem rápido tudo isso que só dá vontade de sair dali logo para segurar o bebê. Mas infelizmente demora um pouco. O marido sai e eu fiquei lá para ser costurada. Demora um pouquinho e dá aflição. Assim como sentimos uma “pressão” quando vão tirar o bebê, dá para sentir que estão mexendo para fazer os pontos, nada de dor, só uma sensação estranha.
Quando tudo isso terminou, ainda com as pernas anestesiadas, a enfermeira me levou pelo corredor e pude ver no berçário o meu bebê, lindo e sereno... no outro lado do vidro, meu marido chorando muito, minha mãe, meu irmão e minha cunhada. Eu comecei a chorar e estava com o nariz já entupido, fiquei agoniada sem respirar e queria levantar para pegar meu filho, mas me levaram rapidinho para o quarto e logo o trouxeram para a primeira mamada.
Foi meio desajeitada, mas é uma sensação maravilhosa de plenitude e realização. È a natureza e o instinto em ação, a emoção aflorando e as expectativas se concretizando. Não vou dizer que sai leite na hora – e depois até contarei meu dilema com a amamentação – mas poder abraçar aquele ser tão indefeso e tão perfeito é o ápice da nossa existência.
Acho que é isso, tem tantas outras histórias que gostaria de contar, mas o momento do parto foi assim... ficará na minha memória e marcado no coração como a maior realização da minha vida!!!


39 semanas: nosso guerreiro chegou!!! (e só agora consigo fazer a postagem... rs)


Gente, abandonei a todos sem notícia... Foi muito corrido, mas no bom sentido e nosso guerreiro chegou no dia 02 de julho, com muita saúde e é tudo de bom!!! Estou apaixonada por ele, mas posso garantir que o ritmo é tão intenso que só agora consegui fazer a postagem.
Mas, calma, vou contar tudo com detalhes! Até porque quero registrar tudo aqui para a posteridade (para me lembrar um dia) e, principalmente, para incentivar a todas as mulheres que passam (ou passaram) por algo parecido com minha história para dar força e reafirmar o que sempre escrevo aqui: “Vale a pena, não desistam, please!”.
No finalzinho da gravidez, senti muitas dores e quase não dormia, acho que era um preparo para a etapa seguinte que é hardcore... kkkk. Fiquei no impasse com a minha obstetra se seria parto normal ou cesárea, mas na 38ª semana decidimos que seria mesmo mais prudente uma cesariana e então agendamos para o sábado seguinte.
Ufa, no finalzinho dá ao mesmo tempo uma ansiedade para ver o bebê e também um “apego” à barriga, pois é um momento único em nossas vidas e possivelmente não passarei por outra gravidez. Tentei curtir ao máximo a minha barriga. Já estava afastada do trabalho desde a 36ª semana, apesar de ficar trabalhando em casa no esquema home office, até para não ficar só pensando no parto e tal. Obviamente é inevitável que nosso histórico de pesquisa do Google só tenha informações sobre parto e, quando eu perdi o sono na madrugada, ficava assistindo aos relatos no Youtube. Normal, né?!
O quarto do bebê só ficou pronto um dia antes, pois antes tinha muita coisa do meu marido lá, mas não me importei tanto porque sei que nos primeiros dias o bebê ficará no carrinho em nosso quarto.
Mas vamos ao que interessa! O parto!!! Sim, vou contar tudo no próximo post!!!


quarta-feira, 22 de junho de 2016

37 semanas: cada vez mais perto!



Gente, não é que meu guerreiro está aguentando firme aqui? Contrariando as estatísticas, conseguimos chegar até a 37ª semana, uma vitória!!!
Nesta segunda-feira fizemos o último ultrassom e está tudo ótimo. Ele está com 50 cm e quase 3,5 Kg. Uma belezinha. Como há pouco espaço na barriga, não dá para ver muito bem o rostinho dele, mas está com a cabecinha encaixada e os pés fazendo “legpress” nas minhas costelas. A placenta ainda é grau 2, o que demonstra que ele pode continuar mais um tempo aqui dentro, no ninho.
Só não se se aguento muito mais, tenho sentido muito cansaço, contrações à noite (começam às 22h e se estendem pela madrugada), o que me impede de dormir. Passo as noites acordada e com medo de ir ao hospital, ainda mais que está um friozinho.... rs.
As contrações tem se intensificado, mas não são regulares como as de trabalho de parto ainda, são as de treinamento. A barriga começa a ficar dura na parte de cima, depois fica toda enrijecida e dá um dor lá embaixo, como se fosse uma cólica menstrual. Sinto que o bebê já encaixou também, principalmente quando sento.  Isso aconteceu na Semana 36, a barriga desceu e senti que ele já estava descendo, a dor nas costas e a falta de ar melhoraram, até a azia diminui. O que fica ruim agora são as cólicas e dificuldade de locomoção.
Às vezes fico preocupada porque o bebê se mexe pouco, mas disseram que realmente fica apertadinho, então como algo doce porque a glicose o deixa mais agitado e eu fico mais tranquila!
Parei de trabalhar na semana passada, no dia 13 de julho. Fiquei em casa terminando algumas atividades online (por email, Skype whatsApp, já que a tecnologia ajuda!). Estou tentando me envolver menos com problemas do trabalho, o que acaba sendo difícil para uma pessoa workaholic como eu. Tenho aproveitado para pensar sobre o parto e aprender sobre os primeiros cuidados com o bebê.
Tem vídeos bem interessantes no Youtube e aprendi muito sobre como dar banho no bebê, rotinas para o sono, amamentação, cólica e também sobre o parto em si.
Ah, o parto... isso está me deixando super ansiosa! Eu passei a gravidez toda com os perrengues de idas ao hospital com a certeza de que seria cesárea. No começo estava com 3 médicas, depois fiquei com 2 me acompanhando e, após o episódio da retirada do pólipo, escolhi uma delas e estamos nos encontrando em consultas semanais.
O que ela me disse, há15 dias, é que posso até tentar o parto normal e isso deu um nó na minha cabeça. Ela comentou que seria até melhor para minha recuperação para o útero voltar ao normal. E aí pensei, o que acontece com os miomas? Eles podem se romper durante as contrações? Não sei, ainda não estou muito segura sobre isso.
O que combinamos foi o seguinte: parei com o Utrogestan na semana 36, passei a monitorar as contrações e, dependendo de como for, se eu aguentar as dores do trabalho de parto, decido de será normal ou cesárea.  
Amanhã tenho consulta e teremos que tomar um decisão, algo bem difícil porque gera muito medo e às vezes, lidamos até com alguns mitos que nos afligem. Contarei para vocês como será... Bjs






sexta-feira, 10 de junho de 2016

36 semanas: está chegando...



Hoje foi meu último dia no trabalho. Me despedi do pessoal, deixei assinada a carta de promoção de uma funcionária muito querida para ser supervisora, mas tive que deixar também pronta a de demissão de um coordenador. Acontece... tenho que me desligar do trabalho agora e me preparar integralmente para a chegada do bebê.
Como toda mãe, já assisti dezenas de vídeos no Youtube sobre parto, recuperação pós-parto, como fazer a mala do bebê para maternidade (e da mãe), como amamentar e como fazer o bebê dormir.
Estou lendo “A Encantadora de Bebês” e me recomendaram “Nana Nenê” (algo assim, assim não procurei, mas parece que a metodologia do autor é questiona por alguns, vou me inteirar sobre o assunto).
Também é engraçado perceber como os “medos e ansiedades” da gravidez vão mudando ao longo das semanas. Que diga o Google, o grande oráculo que sabe de tudo sobre nós pelos histórico de nossas pesquisas... kkkkk.
Nos primeiro trimestre, tentamos entender as mudanças em nosso corpo, os enjoos, o medo do aborto prematuro e sangramentos, até a primeira vez que o bebê vai mexer. Então no segundo trimestre, nos preocupamos sobre alimentação, se o ultrassom está tudo bem e ele está crescendo dentro da curva de controle, começamos a pensar na decoração do quarto e enxoval. Já no terceiro trimestre, as preocupações com o tipo de parto, como será a recuperação e na organização das tarefas que antes eram prioridade no trabalho serão esquecidas por um tempo. A noção de tempo mudará e mesmo que na fase final a gente se prepare para fazer uma “reserva de sono”, as noites são mal dormidas porque a barriga não deixa. Eu até que tento dormir do lado esquerdo como a médica recomendou, mas no meu da noite acabo me virando, então virou de novo.
Agora minhas preocupações também passam pelos movimentos do bebê. Tem dia em que ele se mexe mais, em outros, quase nada. Aí a neurose faz a gente buscar algo na internet. Tem uma baboseira nos fóruns e, como já disse antes e podem me crucificar, que dificuldade no português tem algumas pessoas... vixi... quanto erro de ortografia absurdo, dificuldade em formar uma frase que fica difícil buscar uma fonte de credibilidade. Tento artigos mais científicos da área médica, mas são escassos para alguns questionamentos. Desculpem o desabafo, pois a internet é um espaço livre, democrático e inclusivo, mas escolher as fontes é importante, sempre digo isso aos meus orientandos de TCC, tanto da graduação como da pós-graduação.
Bom, já tomei todas as vacinas, fiz exames de curva glicêmica, hemograma, urina (várias vezes) e o tal do Streptococcus Agalactiae, tudo em ordem. Pressão controlada na média de 11 x 7 e os 18 kg a mais que pretendo perder nos primeiros meses.
Já estou sentindo contrações de treinamento mais intensas e a médica pediu para que nesta semana eu pare de usar o Utrogestan, para deixa a natureza agir. Gente, dá um apeguei de tal forma à Progesterona, que estou morrendo de medo de parar. Mas a médica disse que após as 36 semanas, ela perde sua eficácia, então vamos lá, respirar fundo, parar o uso da medicação e esperar o meu bebezinho tão querido chegar...



terça-feira, 7 de junho de 2016

30 semanas até 35 semanas: muitas emoções, cirurgia e também comemorações



Gente, desapareci, não é?! Pois é, muitas coisas aconteceram no dia seguinte ao último post. Vou tentar resgatar aqui os principais acontecimentos, pois é como sempre digo, a vida tem que ser “como passeio de buggy no Nordeste, só tem graça se for com emoção”. Então vamos lá, vou tentar lembrar de tudo.
  • Semana 30: Tudo caminhava muito bem, eu me sentia disposta para organizar o enxoval do bebê, curtindo lavar as roupinhas, passar tudo (mesmo que sentada na cama para não fazer esforço) e organizar tudo para a chegada tão esperada. Apesar do meu marido encher o saco que estava comprando coisas demais – homens.... Agora que estou realizando o meu maior sonho, não poderia me poupar desta felicidade de cuidar das coisinhas do bebê (desculpem pela revolta, ele acha que tudo é desnecessário...).
Estava trabalhado normal até que em um sábado senti algo estranho lá embaixo, parecia que tinha alguma coisa querendo sair. Como no dia anterior tinha abusado um pouco, porque meu marido me deu carona para voltar do trabalho (já que não posso dirigir deste o início da gravidez), mas ele estava atrasado e me deixou a 4 quarteirões de casa. Fui andando, mas não fazia isso desde o início da gravidez. Me cansei, mas fui devagar e achei que não teria impacto. Tomei um Buscopan e fui dormir. Eis que no sábado não amanheci legal e nem fui trabalhar. No final do dia, quando fui tomar banho, senti que saiu uma secreção diferente, era parte do tampão mucoso!
Fiquei em pânico porque já tinha visto foto de tampão mucoso. Aí continuou saindo alguns pedaços durante o banho e o último tinha um pouco de sangue. Tirei foto e mandei para a médica. Não vou colocar a foto aqui porque é meio nojento. Ela respondeu para ir ao pronto socorro por precaução. Mas enquanto me trocava, começou a sair mais e a escorrer sangue vermelho vivo, entrei em pânico!
Meu marido me levou às pressas para o hospital e com minha mala que já estava pronta (a do bebê ainda não, mas depois daria um jeito dependendo do que acontecesse). O médico plantonista era o mesmo que me atendeu na ameaça de aborto (com descolamento da placenta na 10ª semana e quando tive contrações na madrugada na 20ª semana). Ele perguntou: “você aqui de novo?”. Pois é, mas desta vez era sério. Não conseguiu ouvir o coração do bebê muito bem e no exame de toque viu que o sangue estava saindo do interior do útero e a suspeita era descolamento de placenta (o que poderia exigir um parto de emergência).
Fiz um ultrassom de emergência (isso já era uma 22h do sábado) e o bebê estava bem, ufa! Mas ao voltar com o médico, ele quis fazer outro exame de toque para entender o motivo do sangramento. Aí ele suspeito que um dos miomas, o tal do “mioma parido” ou pólipo, estava saindo do útero e forçando a abertura. Pediu minha internação para que a médica viesse me ver no dia seguinte.
A médica estava fora da cidade, então passei o domingão em observação no hospital, o sangramento continuava, um fator de preocupação. Na segunda ela veio me ver pela manhã e após o exame, suspeitou que pudesse ser o mioma saindo ou um pólipo. Fiquei em jejum e à tarde fiz a cirurgia para retirada.
Me levaram naquela maca até o centro cirúrgico, fui morrendo de medo. Meu marido ficou no quarto me aguardando e então começou o procedimento para extração. Detalhe: sem anestesia! Juro, doeu demais, mas aguentei firme, porque a anestesia poderia afetar o bebê. Senti vontade de desmaiar, foram os 30 minutos mais doloridos da minha vida, mas segurei até o final. A médica me mostrou, era um pedaço de tecido, com uma 5 cm de comprimento, comprido, com bastante sangue, que foi para biopsia. O pior é que ela deixou umas 5 gazes dentro da vagina para estancar o sangramento e eu teria que tirar à noite. Fui para o quarto repousar, com muita dor, mas feliz porque tudo deu certo.
Putz, quando tirei, estava sozinha no quarto, meu marido teve que sair para trabalhar e minha família mora longe (a sogra não conta, não se envolve e até prefiro). Cada gaze que saía era uma dor absurda, mas conseguir puxar todas. Deu um pouco de tontura, chamei a enfermeira e ela disse que minha pressão estava normal e era para repousar.
No dia seguinte, fiz um novo ultrassom, a médica me acompanhou, muito fofa e gentil. Vimos que o colo está fechado, intacto e com ótima espessura. Pronto, tudo certo, tive alta e fui para a casa!

  • 31 semanas: Depois de tanto susto, fique me recuperando em casa por alguns dias, trabalhando em home office. Saí para tomar a vacina de Hepatite B e a Tríplice. O sangramento escuro que a médica disse que ficaria no pós-operatório continuou por alguns dias, em tom escuro e em pouca quantidade. Mantive o Utrogestan por 3 vezes ao dia e tentei ficar mais quieta neste período.
A biópsia chegou e era mesmo um pólipo que foi extraído. Era ele estava “saindo” do útero, empurrando o tampão e gerando sangramento. Era benigno e foi um susto, mais um episódio que nos fortalece neste processo todo.

  • 32 semanas: Já estava me sentindo bem e retornei ao trabalho, ficando cerca de 3 a 4 horas. Só deu um pouco de trabalho porque tivemos que recepcionar alguns gringos e eu organizava a agenda de atividades, mas não podia ir às empresas para acompanhar, ficava gerenciamento de minha sala. Tirando a azia e falta de ar, me sinto bem.
Me recuperei do susto e voltei a ganhar confiança. Continuo no repouso intermediário, sem dirigir (isso só depois da recuperação do parto), só cozinhando um pouco e às vezes e no trabalho, fico sentadinha, me levantando só para ir ao banheiro. E por falar em ir ao banheiro, são várias visitas para o xixi noturno, isso está me fazendo dormir muito mal, pouquíssimas horas por noite e um sono “picado”, o que me deixa bem cansada.

  • 33 semanas: Estive em consulta médica e parece que tudo está caminhando bem! Estou sentindo um pouco cansada, mas é normal porque a barriga cresceu e tenho dormido pouco. A azia piora à noite, mas a médica disse que posso tomar Ranitidina, o que aliviará bastante. A minha dor nas costas que está estranha, na altura dos pulmões e não na lombar – mas parece ser postural porque fico com o notebook no colo trabalhando em casa – e não é pneumonia, pois não tenho tosse ou secreção, o que seria péssimo.
Apesar de estar com 80 kg (vixi, nunca pensei que chegaria a tanto), a médica falou que estou na média de ganho de peso (ainda.... mas tenho que controlar) e que, pasmem... posso até tentar o parto normal. Esta notícia foi novidade, mas acho que não vale o risco, preciso pensar melhor. Meu marido está pressionando pelo parto normal deste então, mas não decidi e prefiro aguardar as cenas do próximo capítulo.

  • 34 semanas: Tudo bem, só azia e falta de ar, com noites mal dormidas, o básico desta fase da gravidez. Fiz ultrassom e o bebê já está com 46 cm e quase 2700 kg. Que belezinha! Só não consegui ver o rostinho dele porque colocou o braço na frente, é tímido.
Depois de muito, muito esforço, convenci meu marido a passar na loja para comprar um carrinho para o bebê. Já é o momento e é possível que nos primeiros dias, ele fique conosco no quarto. Escolhi um carrinho que é também moisés e o bebê conforto que encaixa no carro. Achei bonito, mas depois quando fui colocar no carro na saída da loja, vi que é um mega trambolho.

  • 35 semanas: Ainda estou persistindo em trabalhar, mas não consigo ficar muito tempo. Muitas mudanças estão acontecendo no trabalho e estou tentando não me afetar pelo stress.
Gostaria de comprar algumas coisas que faltam para o quarto do bebê, como um aquecedor e um tapete, por exemplo, mas meu marido fala que e é bobeira, que não pode me levar para comprar porque está ocupado e então o jeito será comprar pela internet. Meu carro continua parado na garagem há meses e ele não me deixa pegar taxi. Por fim, fico bem aprisionada. Depender dele me chateia, porque ele tem os próprios compromissos e não quero atrapalhar, mas deixei de fazer várias coisas que gostaria de ter realizado durante a gravidez por esta falta de mobilidade. Sinto até falta de poder ir ao mercado e comprar coisinhas que às vezes me dá vontade de comer. Como ele não quer que eu engorde, só posso comer frutas, um saco. Sinto falta de minha liberdade, mas foi é uma fase, tudo vai dar certo!

Agora entrando na contagem regressiva!!!


domingo, 24 de abril de 2016

Comemorando mais de 300 mil acessos... Obrigada!!!!!!!

Acabei de me dar contar que o blog já tem quase 310.000 acessos, uau!!!!!!!!
Agradeço muito por todo apoio que tenho recebido nesta jornada e pela possibilidade de ajudar outras mulheres que se encontram em dilemas como os que tenho passado.
A internet tem um alcance imenso e espero continuar trazendo boas notícias a todos. O processo não foi fácil, passei por frustrações, dúvidas e muita ansiedade. Foram longas horas em consultórios médicos, exames, resultados frustrantes, injeções e medicamentos. Até que um dia a felicidade chega com uma notícia maravilhosa.

Por isso deixa a mensagem: não desistam, tudo vale a pena e a consciência de que passaremos por momentos complicados faz parte de tudo isso. Mas, por favor, não deixem de tentar tudo o que é possível.
Tenho curtido cada momento desta gravidez, mesmo quando preciso ir ao hospital, cada visita ao pronto-socorro me torna mais forte.
Tive que tomar decisões importantes neste processo e uma delas foi declinar a uma proposta de trabalho pela qual tinha esperado muito, uma chance de assumir cargo de direção, com um excelente salário e responsabilidade, para o qual tinha me preparado. Mas foi em um momento em que estava realizando o projeto mais importante da minha vida, o de ser mãe.
Ainda vivo os conflitos entre a decisão pela maternidade e continuar trabalhando. Não sei o que será no retorno da minha licença e vou tentar não pensar nisso, pois muito em breve terei nos braços a pessoa que mais precisará de mim neste mundo.
Mais uma vez, obrigada pelos acessos, pelo apoio, pelos comentários, pelos e-mails e mensagens de carinho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!