terça-feira, 21 de novembro de 2017

E já faz um ano que voltei ao trabalho... novidades, reflexões sobre a vida, maternidade e o futuro

Olá, pessoal! Faz um tempo que não apareço, não é?!

Hoje faz exatamente 1 ano que retornei ao trabalho após a licença maternidade. Meu pequeno estava com 4 meses e 15 dias, minha mãe tinha vindo até minha casa para me ajudar por alguns dias e eu estava com o coração apertado. Havia também um misto de medo e ansiedade sobre a nova rotina no trabalho, eu sabia que muitas coisas haviam mudado e não tinha noção sobre como minha equipe iria me receber neste retorno.

Após este tempo de 1 ano, vou resumir aqui: foi o período mais intenso da minha vida! Tive que cortar o vínculo forte que tinha com o bebê - e deixá-lo tão pequeno e distam de mim. Optamos por não colocar em berçário já que deu certo o rodízio porque meu eu trabalho durante o dia e meu marido à noite. Ele mamou no peito até  11 meses, quando tive uma viagem mais longa a trabalho e já estava maiorzinho. Fiz questão de manter a amamentação ao máximo tempo possível e foi uma experiência extraordinária. Não foi fácil no começo, tive que complementar com fórmula, mas deu certo e sou grata por isso!

O que pegou mesmo foram as cobranças no trabalho e, por mais que eu tenha ralado de forma insana, recebi muitas críticas e até tive que ouvir de meu diretor, meu gestor imediato: “ você não é mais a mesma, ficou muito sensível com a maternidade”. Sofri assédio e cobranças de mulheres, acreditam?

Ah, este maldito assédio que nós, mulheres, somos vítimas. Algum dia contarei os detalhes em outro post.

Perdi - tive que demitir devido à reestruturação da empresa - 4 pessoas da equipe e passei a acumular o trabalho delas. Com toda a pressão do trabalho e desempenho ruim em  momento de crise econômica no país, minha válvula de escape é o bebê, o momento em que encontro minha essência.

Confesso que chego às 19h bem acabada depois de um dia muito intenso de trabalho, em ritmo alucinado e não tenho lá tanta energia, ainda mais que continuam ligando no meu celular até 21h para resolver problemas, mas tento relaxar com o bebê no banho, brincando com ele.

Meu marido ajuda imensamente é só por isso estou conseguindo levar. Às vezes ele se estressa, mas é normal. Coisas da rotina. O problema é que estou ficando doente e terei que repensar minha vida e a rotina...  Logo farei 41 anos e me tenho que avaliar se tentaremos usar os 3 “congeladinhos”, mas hoje não teria condições de dar esta resposta.
Na parte da saúde, continuo com os miomas gigantes e estou com receio de tirar e, durante a cirurgia, precisar retirar o útero e então isso seria o adeus a uma nova gravidez. Vejo, de forma racional, que também será difícil engravidar com estes miomas, uma decisão salômonica mesmo.

Em virtude de uma rotina estressante é muita pressão no trabalho, desenvolvi psoríase nas mãos e isso tem me chateado demais. É uma doença que pode ter origens genéticas mas se manifesta em virtude de fatores emocionais. https://pt.wikipedia.org/wiki/Psor%C3%ADase

E, para ajudar, desenvolvi bruxismo pelas noites tendas e mal dormidas, com um torus mandibular, uma calcificação óssea na parte interna da arcada dentária, debaixo da língua e a retirada é com cirurgia (https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%B3rus_mandibular). Tô toda ferrada...kkkkkkkk

Mas de tudo isso, o que importa é que meu pequeno está lindo e saudável!!!!!!

Andou com 1 ano e dois meses, é temperamental como o pai e acelerado como a mãe! A razão da minha vida! Agradeço todos os dias por ter conquistado este milagre em minha vida, todos os procedimentos valeram a pena e é indescritível a experiência de ser mãe.

Para quem está lendo e pensando em desistir, não façam isso! Pode demorar um pouco - no meu caso foram 10 anos e 4 FIVs - mas é possível!!! Quem sabe, no ano que vem, aos 42 anos, farei a transferência? Vou contando por aqui...



Foto da psoríase nas minhas mãos



terça-feira, 11 de julho de 2017

Voltando depois de muuuuuito tempo para contar as novidades

Pessoal, depois de tanto tempo, apareço aqui para trazer notícias e contar o que tem acontecido desde então. Nossa, é tanta coisa que não sei nem por onde começar... Senta que lá vem "textão"!

Meu pequeno fez um ano na semana passada e fiquei pensando em todo o processo da FIV, os anos de espera e sofrimento, mas a felicidade que nos preenche é tão imensa que fica difícil descrever. E acho que foi por isso que escrevi este blog, para lembrar da minha história e para inspirar quem passou pelos mesmos problemas e mostrar que vale a pena. Pode não ser fácil, mas o apoio, mesmo à distância de pessoas que compartilham os dilemas deste jornada ajuda imensamente.

Antes de começar, quero registrar aqui o quanto é gratificante receber as mensagens (ainda estou no email daniela.pessoa.blog@gmail.com) com os relatos, as histórias e os desabafos. Vamos nos falando e nos ajudando. Tem os comentários aqui no blog também e estou tentando atualizar tudo. Fiquei muito tempo sem ler e agora estou tentando colocar tudo em dia.

Me emocionei demais por poder inspirar outras mulheres, por saber que muitas conseguiram realizar seu sonho como eu, mas me solidarizei com aquelas que estão em processo (porque sei que também vão conseguir !).

Fiquei em choque - de felicidade - porque o blog tem mais de 750 mil acessos. Caraca, é muita gente! Nem sei como agradecer a todas que me acompanharam neste processo louco é desgastante da luta contra a infertilidade . A maternidade é mágica e vale cada segundo das batalhas que travamos.

São 12 meses que meu pequeno completou e tanta coisa aconteceu que parece muito mais, a gente perde a noção de tempo... É bem verdade que não durmo uma noite inteira de sono desde então (sorte das mães que disciplinam o bebê ). Não sei se sou molenga com isso, mas não acertei ainda este ponto.

Desde que saí da maternidade com meu pacotinho, minha vida mudou. E eu mudei muito. Amo demais meu bebê, mas ainda continuo trabalhando bastante, só que isso não é mais o meu foco. Tive apenas 4 meses de licença e foi muito pouco... Pensei em não voltar a trabalhar, mas sou a provedora da casa. Quem pode ficar 6 meses em casa, com certeza é muito melhor. E quando a licença vai chegando ao fim, um grande dilema é: "volto a trabalhar ou não?". Muitos palpites e julgamentos à parte, isso vai marcar muito esta fase. Pensei em empreender, em mudar minha vida radicalmente ou ficar só um tempo em casa com ele já tinha feito uma poupança para isso. Mas além da questão financeira, pesou o fato da dificuldade em depois de um tempo voltar ao mercado de trabalho, então me aventurei a me dividir entre retorno ao emprego, cuidados com o bebê e com as rotinas da casa. Tripla jornada dá um cansaço, mas acho que dá para levar. Sei que não estou rendendo o mesmo no trabalho, mas busco fazer o meu melhor.

E por falar em trabalho, senti o quanto o mercado é cruel com as mães. Se antes eu precisar de desdobrar para mostrar minha competência por ser mulher em meio a julgamentos misóginos no trabalho, agora tenho que fazer muito mais para mostrar que ser mãe não me faz uma profissional com pior desempenho. Mas é foda, não consigo explicar porque as mulheres também me julgam. Depois escreverei um post só sobre episódios sobre isso, narrando as cenas com estas barbaridades que tenho enfrentado.

E tenho que assumir toda a minha corujice! A gente muda e acha que nossa cria é a mais linda sempre... kkkk. Meu pequeno é a cara do pai, realmente fui só o forninho mesmo.

Ainda tenho 3 embriões congelados e estou pagando a anuidade. Não sei bem se conseguirei - fisicamente e psicologicamente - ser mãe novamente . Tudo foi tão intenso e eu preciso me recompor. Estou doando quase todas as roupinhas, mas uma ou outra que tenho mais apego até estou guardando porque, no meu íntimo, ainda penso em mais um.

Ser mãe aos 40 me permitiu usufruir da maturidade intelectual e financeira, mas posso dizer que o corpitcho dá uma arriada de cansaço ... kkkk. Como engordei 28 kg na gravidez, 12 ainda continuam comigo. Realmente o corpo toma novas formas, mas o meu está demorando um pouco a voltar. Estou comendo errado, o que juntando com o stress no trabalho e o sedentarismo não dá para esperar mágica mesmo :(

Outra coisa que pega é o desejo sexual. Falta a libido, juntando com o cansaço e a nova rotina, mas depois vai voltando, as coisas vão se ajeitando.

Somente menstruei após 11 meses, bem no período em que parei de amamentar. Foi uma decisão minha, mas o leite já estava secando e ele se alimentava bem. Tomei o anticoncepcional Nactali até os 4 meses, mas quando a licença acabou e voltei ao trabalho, minha rotina se desregulou, eu esquecia de tomar e acabei parando.

Os miomas continuam aqui comigo! Os de sempre (mais encorpados depois das doses de hormônios com a gravidez) e vários novos. No último exame de ultrassom, a médica contou 14!!!! E 2 continuam com mais de 11cm de diâmetro. Sinto dores e eles incomodam, estão empurrando os órgãos e, por mais que eu queira evitar, terei que remover meu útero. A ideia me apavora, mas infelizmente será necessário.

Tenho histórias engraçadas da maternidade que vou contar depois para vocês, no nível daquele dia em que fui ao shopping de pantufas e nem tinha me dado conta!

Venci a propensa em ter depressão pós-parto e a maternidade só tem me trazido a realização que sempre desejei. Mas tem o lado B que faz parte, sem idealizar: casamento, sexo, trabalho, estética,  emoções, auto-percepção, julgamentos dos outros e os malditos "conselhos". Mas tudo vale a pena, como vale... é difícil explicar.

Para quem está ainda tentando, saiba que vc não está sozinha! Só conte para os outros se puderem ajudar. Caso contrário, não precisamos da piedade de ninguém. E eu sou o exemplo de que é possível! Como os médicos me diziam, superei todas as estatísticas negativas e me honro em poder dizer isso: não desistam!

Estava com saudades de vocês! De tempos em tempos voltarei aqui para contar as novis... Bjs