quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Por que a FIV pode dar errado - Parte III: Aloimunidade

Quero entender melhor o que é esta tal de aloimuidade e o tal do exame cross match.
Vi que no ambiente médico ainda há questionamentos sobre os procedimentos e algumas das vacinas não foram aprovadas pelo FDA (Food and Drug Administration). 
Algumas explicações a seguir.

Categorias de Problemas Imunológicos

Há cinco categorias de problemas imunológicos que podem causar aborto, falhas em reprodução assistida e infertilidade. Para maiores detalhes leia o texto Programa de Imunologia da Reprodução.
  • Categoria I

Casais compatíveis o HLA-DQ alfa. Isto resulta na falta de produção de anticorpos bloqueadores para a gravidez a evolução é o aborto. O tratamento para esta categoria é a Terapia com Imunização de Linfócitos (LIT).
  • Categoria II

Anticorpos antifosfolipídicos. Estas são moléculas de adesão para a implantação e desenvolvimento da placenta. O tratamento para este problema é uso da aspirina infantil (81 a 100 mg por dia) começando no primeiro dia do ciclo concepcional e Heparina por injeção subcutânea na segunda metade do ciclo menstrual, aumentando a dose a partir do diagnóstico de gravidez, até um dia antes do parto.
  • Categoria III

Estas pacientes desenvolveram anticorpos contra o DNA ou produtos de degradação do DNA e isto se reflete na produção de um resultado de exame positivo para o Fator Anti-Núcleo (FAN). Geralmente o resultado tem padrão fragmentado. Nós também sugerimos para que estas mulheres sejam investigadas para DNA de dupla hélice, hélice simples, polinucleotídeos e histonas. O tratamento para esta condição é uma medicação chamada Prednisona, que é um esteróide. Deve ser iniciado no primeiro dia do ciclo concepcional na dose de 5mg duas vezes por dia e aumentado para 10 mg duas vezes ao dia com o resultado de um teste de gravidez positivo, mantendo-se a dose até a décima semana de gravidez.
  • Categoria IV

Este grupo de pacientes produz anticorpos antiespermáticos ou contra o fosfolípide fosfatidiletanolamina. Esta mulheres necessitam inseminação intra-uterina.
  • Categoria V

Atividade NK elevada, determonada por dosagem de CD56+ e de CD19+5+. Estas pacientes necessitam de Imunização com Linfócitos Paternos (LIT) e/ou terapia pré concepcional com IgGIV. Os testes que definem esta categoria são:
A: imunofenótipo;
B: Teste de atividade NK;
C: Testes cutâneos para hormônios;
D: Anticorpos anti-hormonais e neurotransmissores;

Para quem teve duas ou mais perdas gestacionais ou falhas em programas de reprodução assistida (fertilização in vitro com transferência de embriões), podem ser resultlado de alterações imunológicas que afetam a fertilidade.

Sobre o Exame de Cross-Match

A avaliação da presença de anticorpos é feita com um exame denominado Cross-Match, que pesquisa a existência de anticorpos contra linfócitos paternos no sangue da mãe.
Existem diferentes métodos para a detecção desses anticorpos no soro materno, tais como a microlinfocitotoxicidade e a Citometria de Fluxo Quantitativa, sendo somente o último indicado para a avaliação na área de reprodução, principalmente por ser mais sensível e apresentar menos variância entre resultados da mesma amostra.
Os resultados dos exames de Cross-Match são usados para indicar o tratamento e para monitorizar a resposta materna à aplicação das vacinas (ILP).

Sobre a Vacina com linfócitos paternos (ILP)

Há médicos que indicam um tratamento imunológico baseado na utilização de vacinas produzidas com linfócitos presentes no sangue do pai, que são injetados no organismo da mãe com o intuito de estimular, por uma via diferente, a produção de anticorpos contra o HLA paterno, que poderão, assim, ter o efeito protetor numa gravidez subseqüente.
Esta é a teoria que justifica o tratamento de imunização com linfócitos paternos (ILP) para casos de abortamentos de repetição de causa aloimune.
É importante lembrar que todo casal deve passar por prévia consulta com médico especializado antes de qualquer tipo de tratamento. Só o médico é capaz de julgar a necessidade de exames complementares coadjuvantes bem como qual terapêutica será necessária para cada casal.

Em geral, são feitas que 3 aplicações de ILP com intervalos médios de 3 semanas para sensibilizar a grande maioria das pacientes. Em torno de 30% dos casos necessitam de mais uma dose de reforço. Uma vez imunizada, a paciente permanece por volta de 6 meses sem a necessidade de novo tratamento, possibilitando assim durante esse período engravidar espontaneamente ou por métodos de fertilização caso seja necessário. 
Fonte: http://www.crossmatch.com.br/


A seguir, uma entrevista com o Dr. Barini, que é professor da Unicamp e tem uma clínica especializada em Imunologia da Reprodução e "medicina materno fetal".
Pelo que dá para perceber, o tratamento não é um consenso, há questionamentos na comunidade médica, tem alto custo e impactos não avaliados pela aplicação das vacinas.
Vale a pena ler na íntegra para refletir, avaliar, questionar...
Aí cada uma tira sua conclusão... Eu ainda estou pesquisando e não tenho opinião fechada, quer mais antes de uma decisão.