domingo, 25 de janeiro de 2015

O que fazer para a FIV dar certo?


Vcs já perceberam que estou conseguindo acessar o blog e postar algo quase todos os dias? Pois é, estou tentando fazer valer o conceito de diário. Às vezes as publicações são mais confessionais como a de ontem, por exemplo, quando coloco aqui algumas angústias e ansiedade de todo este louco processo de fertilização in vitro.
Ontem à noite tive uma boa notícia, recebi um email da Unimed informando que minha cirurgia de miopia foi aprovada! Eba, algo bom e amanhã (segundona) já ligarei logo cedo para ver a sequência dos procedimentos e confirmar a cirurgia que estava pré-agendada para a quinta.

Também terei o primeiro exame hormonal e ultrassom com o médico para ver a quantas anda o meu endométrio e planejar a sequência do tratamento para a transferência. Espero que não seja na quinta, mas pelas contas vai ser na sexta, mas não tenho noção porque na outra FIV foi no 18º dia após a menstruação e agora não sei como meu corpo está reagindo a medicação. Amanhã contarei tudo.
Mas aí acordei hoje pensando na seguinte questão: O que fazer para a FIV dar certo?

Puxa, esta é a nossa grande questão! Ah, se eu soubesse a resposta...

Tem relatos de meninas que tiveram o positivo na primeira FIV, o que é ótimo. Mas pessoalmente conheço muitas que só conseguiram na terceira. Tem uma garota que foi minha aluna na pós-graduação e conseguiu na quinta tentativa. Outra também de outro curso que conseguiu na terceira e, pela idade, transferiu 4 embriões e todos vingaram. Imaginem, quatro bebês... vixi. Ela até se afastou do curso e preciso fazer contato para saber se ela está bem.

Mas aí não tem a fórmula mágica dos motivos para a FIV dar certo e quando conversamos com o médico, devemos estar bem cientes de que todo este processo é quase um jogo de probabilidades e uma conjunção de fatores é o que determina o resultado. Não é o fato apenas de tomar vitaminas, fazer repouso após transferência ou aulas de yoga e acupuntura.
Quando não dá certo, naquele momento inicial de “negação”, depois passamos pela “revolta” e, beeeem depois, conseguimos amadurecer para a “aceitação”, vamos procurar os fatores e tentar trabalhar em cima deles juntamente com o nosso médico.

É bem assim este processo: a “negação” é quando tentamos imaginar que o exame Beta pode ter dado errado e que o resultado pode mudar, mas quando percebemos que não foi mesmo, aí vem a fase da “revolta”, contra o médico ou contra outras mulheres grávidas e até contra nós mesmas porque achamos que fizemos algo errado e que atrapalhou o tratamento. Por fim, quando juntamos os cacos e chegamos na fase da “aceitação”, buscamos outros relatos de mulheres que seguiram em frente, trocamos o médico e iniciamos tudo de novo com muito otimismo.

A FIV pode não dar certo por vários motivos. Vejamos alguns:

- Idade da mulher: com o avanço da idade, a qualidade dos óvulos diminui (começando o declínio aos 30 e sendo mais acelerado após os 37 anos). As probabilidades pioram drasticamente após os 40 anos, quando a taxa de gravidez utilizando embriões cai para 25%.
- Resposta ovariana: além da questão da idade (porque os óvulos possuem também nossa idade, ou seja, envelhecem conosco), há mulheres que respondem de forma diferente à medicação e podem gerar respostas diferentes quando à qualidade e quantidade de folículos/óvulos maduros. A resposta à estimulação depende dos níveis de FSH (hormônio folículo estimulante) que não pode ser muito elevado ou de uma taxa boa taxa de AMH (hormônio anti-mulleriano) que verifica a taxa de reserva ovariana.

- Qualidade do embrião: muitas vezes, após o estímulo, a mulher tem vários óvulos mas não são de qualidade ou o marido tem espermatozoides mais deficitários. Outra questão, mesmo quando há a fertilização, alguns não se desenvolvem de forma simétrica quando à divisão celular (por isso os embriões são classificados em categorias A, B, C  ou D quanto ao número de células e presença ou não de fragmentação, já que devem ser simétricas de acordo com o padrão esperado de evolução).
- Alterações imunológicas: algumas anormalidades no funcionamento do sistema imunológico podem impedir a adequada implantação de embriões no ambiente uterino. Elas podem ser identificadas através de exames de sangue especializados. Frequentemente são diagnosticadas elevações nos níveis de células natural killers (NK) ou de anticorpos do tipo anti-fosfatidilserina, anti-cardiolipina, anti-tireoglobulina, também a síndrome anti-fosfolípides, mutações em genes como o MTHFR, da protrombina e do fator V de Leiden (como os exames para identificar também tipos de Trombofilia).

- Alterações cromossômicas e genéticas: estão relacionadas também à qualidade dos embriões, pois podem apresentar anomalias em seus genes ou cromossomos. Muitas vezes, um embrião aparentemente normal pode ser alterações e para ter o diagnóstico, são necessários alguns exames específicos, como o diagnóstico genético pré-implantacional (PGD/PGS) e o array-CGH, estes últimos capazes de rastrear alterações cromossômicas e gênicas no estágio embrionário, antes mesmo da implantação.

- Alterações no útero: podem existir algumas anormalidades que dificultam o processo, como endometrite, presença de pólipos endometriais ou miomas (principalmente os submucosos), que podem criar barreiras físicas ou alterações no endométrio.

- Falhas de implantação: Pode acontecer falhas ou abortamentos devido ao não desenvolvimento do embrião (o embrião pára de crescer, não há multiplicação celular), sendo que isso geralmente decorre de causas genéticas do próprio embrião. Uma outra causa de falha de implantação é a mudança da janela de implantação, período em que o endométrio deve receber e nutrir o embrião para que ele se implante no útero e comece a produzir as células que vão formar a placenta, além do próprio feto.
A “janela de implantação” é o período em que todo mês, seja em ciclo espontâneo ou induzido, o endométrio passa pelo período em que se encontra receptivo aos embriões. E, se colocarmos os embriões fora desta janela de implantação, é como se estivéssemos os jogando fora, pois eles não encontram um ambiente adequado para implantarem.

Assim, um dos desafios na fertilização “in vitro” (FIV) é encontrar a janela de implantação individual para cada mulher, para transferir os embriões neste momento correto. Na maioria dos casos se colocarmos os embriões após 5 dias de ação da progesterona estaremos neste período da janela de implantação, porém em algumas pacientes, a janela de implantação pode ser diferente. Isso pode ser analisado hoje com o ERA, Endometrial Receptivity Array, feito através da avaliação da expressão de genes no endométrio.
Depois colocarei um post sobre a “Janela de Implantação”, que é um tema que já refleti um pouco sobre ela na transferência anterior e agora quero entender melhor.

Por fim...
O corpo humano não reage da mesma forma e nenhum tratamento terá 100% de eficácia. O importante é o preparo emocional (pois o financeiro possivelmente já fizemos antes para poder iniciar o tratamento) e perseverança. Vamos em frente!