segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ainda sobre indução da ovulação para FIV - uso de Gonal F e Gonapeptyl


Já contei um pouco sobre como tem sido a aplicação dos medicamentos.

Não sei se comentei, mas morro de medo de injeção e, desde a primeira FIV, quem aplica a medicação é meu marido. Mas como tive uma viagem a trabalho exatamente durante o processo, tive que criar coragem e aplicar em mim. Vixi, fiquei apreensiva, mas deu tudo certo!

Tive que ir em uma van alugada para todos da equipe e levei uma bolsa térmica com o remédio, tive que inventar uma desculpa porque queriam saber o que era. Mas pontualmente, ia até o quarto do hotel e aplicava em mim. Faço qualquer coisa pelos meus futuros bebês!!!!!!!!!!!



Mas agora, para conhecer um pouco mais sobre a parte técnica do processo, vou descrever o processo de indução da ovulação.

Para facilitar, organizei em 3 fases a partir da pesquisa que realizei (como não sou da área da saúde, as informações são baseadas nos sites de médicos que atuam em reprodução assistida e embaixo deixo sempre os links consultados).

A estimulação ovariana é um passo muito importante para uma FIV de sucesso. Se bem conduzida propicia coleta de óvulos maduros e de qualidade para a fertilização. Se mal conduzida pode comprometer irremediavelmente a chance de gravidez no ciclo, ou causar riscos desnecessários à mulher (como o hiperestímulo ovariano, que tive na minha primeira tentativa e é ruim demais...)
 

Fase 1: Avaliação Basal e Fase Inicial de Estímulo

O ideal é que ao iniciar o processo, no ultrassom, o ovário apresente todos os folículos pequenos (< 8 mm) e relativamente sincrônicos, ou seja, sem muita variação de tamanho. Isto vai garantir que respondam de forma semelhante à medicação, crescendo e amadurecendo juntos. O melhor é que todos os folículos cheguem à maturidade aproximadamente no mesmo dia de estímulo, conseguindo-se mais óvulos maduros. Outro aspecto que o médico avalia no ultrassom é a espessura do endométrio, que no início do tratamento deve estar fino, menor ou igual a 5 mm, garantindo que existe um bom “repouso” fisiológico ovariano.

Dentre os medicamentos, as gonadotrofinas utilizadas nesta fase são o FSH puro (GONAL, PUREGON, BRAVELLE) ou o FSH com efeito LH associado (MERIONAL, MENOPUR). A escolha depende da experiência de cada clínica e disponibilidade, pois a literatura médica mostra não haver diferenças relevantes na resposta a estas medicações.
 

Fase 2: Estimulação do Ovário

No 5º – 6º dia de medicação é esperado que os folículos estejam crescendo de maneira uniforme, com diâmetro em torno de 10 a 14 mm, e o endométrio esteja se tornando espesso (> 5 mm). Nos hormônios, o único que deve estar subindo é o Estradiol produzido pelas células dos folículos em crescimento. O LH e a Progesterona devem permanecer baixos.

Ainda no 5º ou 6º dia de estímulo, é realizada uma avaliação da resposta através de dosagens hormonais e ultrassom, para verificar se há necessidade de ajustes nas doses.

Nesta fase, de acordo com os exames, para evitar que alguns folículos fiquem maduros antes da hora, alguns médicos utilizam o antagonista de GnRH (CETROTIDE ou ORGALUTRAN), como é o meu caso (iniciando no 8ª dia).

Em algumas clínicas, o antagonista é iniciado de maneira fixa no 6º dia de estímulo. Em outras é iniciado de maneira variável, quando o primeiro folículo atinge 14 mm de diâmetro e os níveis de Estradiol cerca de 400 pg/ml. Uma vez iniciado, o antagonista é mantido até a finalização da estimulação.

A monitorização da resposta é repetida a cada 2 ou 3 dias a partir da avaliação inicial (5º – 6º dia), no intuito de detectar o ponto exato em que os folículos e óvulos estarão maduros para a coleta.

Fase 3: finalização do estímulo e indução ovulatória

Em média após 10 dias de estímulo, com pequenas variações para menos ou mais segundo a resposta ovariana, os óvulos estarão maduros. O ultrassom deve mostrar folículos com diâmetros acima de 17 mm e endométrio com espessura superior a 8 mm (ideal). Os níveis de Estradiol devem estar acima de 1.000 a 2.000 pg/ml, o LH permanece baixo, e a progesterona pode ter pequena elevação no final do estímulo.

Quando os óvulos estão maduros, é provocada uma “onda” de LH, em dose alta, para desencadear dois fenômenos fundamentais nesta fase: a) finalização da meiose (divisão celular) do óvulo, tornando-o pronto a ser fertilizado; b) liberação do óvulo da parede do folículo, à qual estava ligado, ficando então o óvulo “solto” no líquido folicular, e, portanto, passível de ser aspirado pela agulha específica na punção.

No meu caso, o médico receitou uma “onda de LH com uso hCG subcutâneo”, com o Ovidrel.

Em geral, após 36 a 38 horas após esta onda de LH, o óvulo, já maduro, é liberado pelo folículo para a pelve (ovulação). Como não pode acontecer isso na FIV, pois assim eles seriam perdidos, o médico calcula média, 34 horas após a medicação para fazer a aspiração dos óvulos maduros.


Fonte:  Dr. Fábio Eugênio (Ginecologista, especialista em Reprodução Humana. Mestrado em Tocoginecologia Fellow em Medicina Reprodutiva Diretor Clínico do Centro de Medicina Reprodutiva BIOS Trabalha há 15 anos na especialidade).
Disponível em: http://www.medicinareprodutiva.com.br/2011/09/inducao-de-ovulacao-para-fiv-o-estimulo-na-pratica/