domingo, 29 de setembro de 2013

Reflexão sobre a fertilidade: ciclos dentro de ciclos

Gente, este texto é meio reflexivo, um pouco de resgate, um pouco de deprê básica em um domingo chuvoso e uma mistura de vários outras coisas que aprendemos a lidar.
É uma análise sobre as diferentes fases que passamos quando temos dificuldades para engravidar. O engraçado é que, quando somos adolescentes ou estamos na faculdade, vivendo um turbilhão de coisas e emoções, morrendo de medo da gravidez e, mesmo com chances mínimas de ter acontecido algo, ficamos ansiosas esperando pela menstruação.
Depois do casamento, quando decidimos ter filhos, que é o momento certo, coisa e tal, os primeiros sinais de que o processo não será tão fácil e então entramos na primeira fase: NEGAÇÃO.
Na fase da NEGAÇÃO, não queremos aceitar, que em hipótese alguma, pode ter algo errado conosco, que pode ser que o stress do trabalho esteja afetando, que depois de uma certa idade demora mais mesmo, que o fato de ter tomado anticoncepcional por um tempo pode influenciar e outras desculpas, porque não queremos aceitar que pode haver um problema.
Depois de um ano de tentativas, se começa a perceber a realidade: tem algo errado com um dos dois. E a primeira coisa que a mulher pensa, é comigo. Aí começa a corrida ao ginecologista e a submissão à uma bateria de exames, já que os 35 anos chegaram e todo as estatísticas começam a jogar contra nossas expectativas. Aí entramos na segunda fase, que é da INVESTIGAÇÃO.
Na fase da INVESTIGAÇÃO é uma sequência louca  de exames e ficamos igualmente loucas com os possíveis resultados e a cada um deles pensamos: “deve ser isso que está atrapalhando”. No meu caso, teve a fase 1, que é a bateria geral dos exames de sangue, para ver hormônios e tal. Aí temos uma ideia geral da reserva ovariana, do funcionamento da tireóide e também o espermograma do marido. Tudo OK, parte-se para a fase 2, dos ovários policísticos, quando pesquisei um monte sobre isso e fiz vários ultrassons e tomei Elani, um anticoncepcional de uso contínuo. Depois teve a fase 3, quando problema seria de ovulação, quando tomei Serophene por 5 ciclos para estímulo do coito programado e nada. Aí veio a fase 4, da análise morfológica, quando fiz a histerossalpingrafia para ver se as trompas não estavam obstruídas, um exame tão doloroso que fiquei aliviada quando estava tudo certo e não precisaria passar por isso de novo. Aí veio a fase 5, quando um dos vários médicos com quem me consultei pediu um tal de exame CA 125 e o resultado sugeriu endometriose. Esta foi a fase mais longa e que trouxe mais dúvidas e a busca por diferentes especialistas. Depois de um tempo, decidi pela videolaparoscopia, que demonstrou não ter nenhum foco de endometriose, mas vários miomas e um deles bem grandão, com cerca de 10cm de diâmetro. Aí teria que decidir se faria uma cirurgia para retirada dos miomas (tipo uma cesariana ou toparia um tratamento mais heavy para engravidar logo e torcer para os hormônios fazerem o miomão parar de crescer).
Aí se percebe que uma decisão deve ser tomada para a fase seguinte, que é da AÇÃO.
Quando entramos na AÇÃO, é quando optamos por fazer algum tratamento de reprodução assistida e, no meu caso, foi primeiramente pela IA (inseminação artificial), já que não havia indícios de maiores problemas. Com a indução da ovulação e 24 folículos, resolvemos mudar a rota para uma FIV e evitar a gravidez múltipla. Aí quando se decide pela FIV, são outras fases.


CICLOS DENTRO DE CICLOS

A vida é assim, resumida em fases e a busca pela maternidade a cada momento nos coloca em um pequeno ciclo.
Em cada FIV ou TEC, começamos outros ciclos, que chamei de “ciclos dentro de ciclos”, pois quando chegamos neste estágio, já passamos por outras fases.
E o engraçado que, ao pesquisar na internet, em blog e grupos de discussão, a mulherada está unidade e compartilha suas experiências como num grupo de ajuda mútua, muito louco. A linguagem utilizada, depois de passarem por tantos exames, já é técnica e as siglas aparecerem, como GO, TEC, US, dentre várias outras. Embora em proporções diferentes, parece um grupo de vigilantes do peso ou de alcoólicos anônimos onde o grupo dá força e a troca de experiências bem sucedidas nos fortalece.
Então, dentro dos ciclos da FIV, temos a fase 1, que é conhecer cada um dos medicamentos na fase da indução da ovulação, com as malditas injeções na barriga e ultrassons constantes. Aí entra a fase 2, que é a punção, quando são retirados os óvulos e ficamos torcendo para que todos folículos tenham “sementinha” e depois sejam fertilizados para virar embriões. Na fase 3, ficamos acompanhando a evolução dos zigotinhos para a transferência. Aí começamos a procurar os sintomas de cada uma nos intermináveis 12 dias até fazer o exame Beta. Para algumas, começa um novo ciclo com a gravidez, mas infelizmente, para algumas tem a fase 4, que é a frustação com o negativo e a força para começar tudo de novo com a investigação dos motivos de falha na implantação dos embriões.  No meu caso, surgiram novos exames, como os exames para trombofilia e o Cross Match, para aloimunidade, quando comecei a pesquisa sobre imunidade da reprodução.
Mas acho que ainda, dentre os motivos para o negativo da FIV, além das vacinas, terei uma nova fase de pesquisa, que é a “janela de implantação”. Não sei muito sobre isso, mas como minha médica atrasou em um dia a transferência, fiquei com esta questão pendente como um dos possíveis motivos, já que tudo funciona tão sincronizado no tratamento, se atrasar um período, isso atrapalha? Ainda vou pesquisar um pouco mais.
Uma colega, com quem tenho trocado mensagens também deu a dica que a falta de vitamina D pode atrapalhar, então vou pensar nisso. Tem ainda os exames para cariotipos e células NK (Natural Killers) que não fiz.
Meu marido disse que eu estava ficando paranoica (embora falasse isso de algumas mulheres no e-family, ele disse que tinha me transformado em uma...)
Bom, ainda não sei quais são as fases futuras, uma delas pode ser a de DECISÃO, que não descarto uma adoção, se não der certo. Mas o que espero de verdade é entrar na fase da gravidez, com certeza!
Puxa, não sou muito de escrever coisas pessoais, pois o meu talento é para escrever relatórios técnicos, mas foi um desabafo, já que este blog é um relato do que estou sentido e era isso que queria hoje compartilhar com vocês.
Na verdade, não sei se há alguém acompanhando, são tantas pessoas na web e não dá para saber com exatidão quem acessa. De qualquer forma, espero estar ajudando alguém ao compartilhar minha experiência.
Se alguém leu até o final, obrigada pela paciência.