domingo, 3 de janeiro de 2016

13 semanas: comentários sobre o meu diagnóstico de descolamento da placenta

 
Meninas, realmente foi um grande susto no domingo passado, hoje completo uma semana do repouso absoluto, primeiro dia em que estou me sentando para usar o computador, ainda meio deitada no sofá com o notebook no colo e um monte de almofadas.
Segui tudo o que o médico pediu, não fiz praticamente nada. Na horizontal, deitada até ficar entediada. Meu marido fez tudo e ainda bem que estava em férias. Desde lavar roupas, cozinhar e cuidar da casa. Fiquei tão molenga que até tomar banho me cansa... rs. Bom, para quem me conhece e sabe que sou ligada nos 220V, parece impossível. Posso dizer que não foi fácil, senti uma “coceira interior” (não sei explicar) para fazer as coisas, sair e ver o que está acontecendo na rua, ainda mais no Ano Novo, pois sempre sou a festeira da família que organiza tudo. Neste ano, a virada foi deitadinha no sofá, olhando os fogos pela janela da sacada. Este será um ano especial, o mais importante da minha vida!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Os enjôos diminuíram muito, parece que aconteceu mesmo a mágica das “12 semanas”...hahahaha.

Ainda não tenho o diagnóstico da causa do descolamento, o médico que me atendeu no Pronto Socorro supõe ser resultado do crescimento dos miomas pela grande quantidade de hormônios na gravidez que podem ter abaulado a cavidade uterina (em questões anatômicas), gerado um coágulo subcoriônico e, como consequência, o descolamento da placenta. Já a médica do pré-natal, apenas confirmou por mensagem de WhatsApp tal hipótese, pois somente vou encontra-la na próxima semana. Respondeu para usar a Utrogestan (devido à baixa taxa de progesterona pela idade – embora eu não queira aceitar, estou chegando nos 39 aninhos) e pediu repouso.

Resumindo, foram 3 as recomendações para o hematoma não aumentar (e ambos os médicos disseram que não há muito mais o que fazer, devemos aguardar o corpo se reestabelecer e manter o pensamento positivo):

- Evitar ter contato íntimo (abstinência sexual)
- Não ficar muito tempo de pé, preferindo ficar sentada ou deitada com as pernas elevadas (nem pensar em passeio no shopping ou ir ao mercado) ou esforços, como limpar a casa (nos casos mais graves, o médico poderá ainda indicar a internação, mas isso quando a gestação está no 3º trimestre)
- Fazer uso progesterona com o Utrogestan (no meu caso, 1 vez ao dia).
 
Estas recomendações são as mais comuns entre os médicos, mas não há comprovação em estudos científicos que comprovem impacto na involução do coágulo, mas é importante que a gente sinta que está fazendo tudo o que pode para cuidar o melhor possível de nosso bebê.
Ah, quando questionei o médico como o repouso ajudaria, ele disse que seria uma questão de minimizar impactos físicos da movimentação. Comparou com uma ferida, se ficarmos em contato com o local sempre, demora para cicatrizar, o mesmo se ficarmos nos movimentando muito em relação ao hematoma e a região do descolamento da placenta.
Me preocupou muito o deslocamento da placenta porque é um problema sério na gravidez. Em geral, acontece mais no 3º trimestre e no meu caso, foi bem no finalzinho do 1ª.
A placenta é muito importante porque é responsável por todas as “trocas” entre a mãe e o bebê, ou seja, facilita a troca de nutrientes para proteger e sustentar a gravidez. Além de eliminar tudo o que é nocivo, ela transporta oxigênio, glicose, cálcio, água, entre outras substâncias, para o bebê. Já no caminho contrário, é ela quem retira o gás carbônico e outros dejetos do bebê, que são eliminados pelo organismo da mãe. É a placenta, ainda, que estimula outros hormônios da gestação, como o estrogênio, a progesterona e o lactogênio, fundamental para a produção de leite.
Portanto, um descolamento da placenta pode ser a interrupção desta comunicação com o bebê e trazer problemas muito sérios. No meu caso, o descolamento foi de 15% a 20% e não foi gravíssimo, mas o médico ressaltou que foi uma ameaça significativa de aborto que passei com o sangramento e outros agravantes.
Aí vêm aquelas perguntas: “O que fazer para a placenta colar de novo”? “Quanto tempo demora para a placenta colar e se reestabelecer”?
Na verdade, não há uma resposta única para isso, depende de cada caso. O médico que me atendeu disse que poderia levar algumas semanas (da 12ª até a 18ª ou 20ª) ou até meses e há mulheres que ficam a gestação toda sob repouso. Quando acontece após as 34 semanas e, segundo a condição de cada gestação, é realizada uma cesárea de emergência.
Quando acontece ainda no 1º trimestre, como no meu caso, o nome científico é hematoma subcoriônico ou retrocoriônico, caracterizado pelo acúmulo de sangue entre o útero e o saco gestacional. Nos casos leves de descolamento ovular, normalmente o hematoma desaparece naturalmente até ao 2º trimestre de gestação, pois é absorvido pelo organismo da mãe, porém, quanto maior for o hematoma, maior o risco de aborto espontâneo, parto prematuro e descolamento da placenta.
 
Alguns pontos que entendi sobre esta questão, para compartilhar com vocês:
 
- O hematoma subcoriônico (SCH), que é um acúmulo de sangue entre as membranas da placenta e do útero, que se chama córion. Quando acontece nas primeiras semanas de gestação e a placenta ainda não está formada, os médios se referem a ele como coágulo ou deslocamento ovular.
 
- Os hematomas subcoriônicos grandes aumentam o risco de aborto espontâneo, parto prematuro, descolamento da placenta (quando ela se separa prematuramente a partir da parede do útero pode levar à morte do feto nos casos mais graves, pois a placenta tem múltiplas funções: além da função nutritiva, tem função excretora, respiratória, de produção de hormônios e de defesa).
 
- Portanto, há diferença entre o hematoma subcoriônico e o descolamento da placenta. Quando o problema aparece em gestações antes de 20 semanas, o que na verdade ocorre é um acúmulo de sangue entre a parede do útero e o saco gestacional e os médicos se referem a esse problema como hematoma subcoriônico, que desaparece com a evolução da gestação e esta pode transcorrer normalente. Nos casos de descolamento de placenta, esta complicação pode indicar que a saúde do feto está em perigo. Se acontece  perto da data de parto prevista do parto, ele será adiantado  por meio de uma cesariana, para prevenir que a placenta se solte ainda mais.
Mas é importante destacar que ambas as situações requerem tratamento médico imediato para um melhor acompanhamento e prognóstico da gestação, com ultrassom, se possível, semanal ou quinzenal.
 
- Sobre as causas para um hematoma ou o descolamento, não há uma única ou certeira motivação, podendo ser um problema decorrente da implantação do ovo no útero na fase inicial da gestação. Portanto, não se culpe se aconteceu com você, pois não foi algo que tenha feito para que acontecesse e pode ocorrer em mulheres grávidas de todas as idades e raças.
 
- Para ter o diagnóstico, é importante procurar o médico ou um atendimento de emergência em caso de sangramento (mas há casos em que não há sangramento, no meu houve bastante). Somente com um ultrassom será possível identificar o coágulo, que aparece como uma mancha escura dentro do útero, como se fosse outra placenta. Após o exame, o médico consegue identifica o tamanho (extensão) do coágulo ou da zona de descolamento da placenta, dependendo o caso.
 
Bom, de tudo isso e de todas as histórias tristes que encontramos na internet, é importante conter a ansiedade e não cair no desespero. O apoio do médico é importante para nos sentirmos seguras, um bom profissional nos dará as orientações, pois há muita informação na internet, mas também (des)informação em excesso!
Lendo outros blogs, percebo que é bastante comum no início da gravidez – apesar de ter levado um susto com o tom que o médico me passou as orientações, considerando que meu caso é diferente pela presença dos miomas, que são agravantes ao diagnóstico do coágulo e preciso ter maior cuidado com o descolamento da placenta. Torcendo para não fica a gravidez toda em repouso, então me cuidarei bem agora no comecinho, estou com 13 semanas agora.
Estou tentando ter calma, me distanciar do trabalho com a licença médica (apesar de toda a pressão que estou recebendo por ter que conduzir a reestruturação da minha área, em um momento em que a empresa foi adquirida por um grupo americano). E aí vem o desabafo: cuidar do bebê é essencial para nosso projeto de vida e todas as minhas energias estão voltadas para isso, mas é uma escolha complicada no que diz respeito à carreira, principalmente no ambiente corporativo, com funções de gerência e direção de área.
Por exemplo, eu teria uma viagem para os Estados Unidos a trabalho, bastante importante, mas precisarei me ausentar e tentar resolver tudo via por videoconferência, a tecnologia ajuda, mas há “reuniões de relacionamento” que terei que abdicar. Já recusei uma promoção no mês de outubro (acho que contei aqui) e não me arrependo nem um pouco. É que não tem como deixar de mencionar esta pressão que a mulher se encontra. Minhas decisões foram tomadas e imagino que vocês também tenham passado por isso.
O negócio é não pirar, embora ficar em repouso para pessoas totalmente pilhadas como eu seja algo complicado, mas estou me acostumando com os mimos do marido... rs. Vou seguir direitinho as recomendações médicas e amanhã espero saber o sexo do bebê no ultrassom.
Torcendo muito para a placenta estar no lugar certinho e o hematoma ter sumido!!! Bjsssssss