domingo, 28 de junho de 2015

Sobre o “Teste de Fragmentação de DNA Espermático”


Para quem leu meu último post, viu que as coisas mudaram um pouco o rumo no tratamento e agora já temos pistas de possíveis motivos para as falhas de implantação. Estamos no diagnóstico, mas agora investindo os fatores paternos.
Ao fazer o Teste de Fragmentação de DNA Espermático, descobrimos que meu marido tem um índice alto e vamos melhorar isso com algum tratamento específico. Fui investigar um pouco no Dr.Google o que é – sei que isso não é recomendado porque não sou da área médica, mas vou me municiar de algumas informações para entender a explicação dos especialistas.

O que encontrei até o momento (tentando reunir as informações de maneira didática)...

O QUE É O EXAME?
É um dos mais modernos exames para avaliar a fertilidade masculina. O Teste da Estrutura da Cromatina do Espermatozoide (TECE) é uma medida estatisticamente significante da infertilidade masculina. Este exame visa avaliar o DNA do espermatozoide.

O exame pode ser feito como complemento ao espermograma comum. A amostra passa por um exame de fluorescência, misturada com um corante laranja capaz de se ligar ao DNA. Posteriormente, passa por um aparelho chamado citômetro de fluxo que quantifica a proporção de espermatozoides defeituosos. Se a porcentagem de espermatozoides estiver alterada e for acima de 30%, a capacidade fértil do homem estará severamente prejudicada.
A fragmentação de DNA que pode estar relacionada a um pobre desenvolvimento embrionário, uma escassa capacidade de implantação, assim como abortos em repetição.


 
COMO A FRAGMENTAÇÃO DO DNA AFETA OS RESULTADOS DA FIV?

A fragmentação de DNA (ou SDF - Sperm DNA Fragmentation) é comum em pacientes com infertilidade.
Está relacionada à presença de bases oxidativas, o que evidencia uma espermiogênese prejudicada. Com isso, formam-se espermatozoides com presença de radicais livres, principalmente na mitocôndria, responsável por suporte de energia e motilidade do espermatozoide. Como consequência, haverá peroxidação lipídica da célula causando um dano no DNA do espermatozoide e piora da carga genética a ser transmitida.

A qualidade do DNA é essencial para a boa transmissão de informação genética para os embriões. Por isso, a fragmentação de DNA espermático é tão importante ser avaliada em casos de falha de implantação, abortos de recorrência ou mesmo em pacientes com qualidade seminal abaixo do normal.

Vídeos:
 
QUAIS AS ESTATÍSTICAS ASSOCIADAS À FRAGMENTAÇÃO ESPERMÁTICA?
Mesmo homens com espermograma normal podem ter alta porcentagem de espermatozoides com DNA fragmentado, sendo uma explicação para infertilidade sem causa aparente. Aproximadamente 25% dos homens inférteis apresentam elevadas taxas de fragmentação do DNA espermático. E, em torno de 10% dos espermogramas normais (em casais com infertilidade) há altas taxas de SDF (avaliação da infertilidade sem causa aparente).

A fragmentação do DNA espermático está associada ao insucesso na fertilização in vitro. Quando as taxas de fragmentação do DNA espermático são superiores a 30%, as chances de gravidez reduzem significativamente de 19% para 1,5%.

 

QUAIS OS MOTIVOS QUE LEVAM À FRAGMENTAÇÃO ESPERMÁTICA
Segundo a literatura médica, pode estar relacionada a inúmeras causas tais como: uso de drogas, aumento da temperatura testicular, varicocele, obesidade, poluição, fumo e idade avançada.

 
QUAIS AS POSSIBILIDADES DE TRATAMENTO?
A capacitação espermática consiste em selecionar aqueles espermatozóides com maior motilidade mediante a eliminação do plasma seminal (que contém substâncias inibidoras da motilidade), e os espermatozóides imóveis, junto com as células imaturas e detritos. O aumento da motilidade espermática favorece a sua penetração no óvulo.

 
QUAIS OUTROS EXAMPES PODEM SER FEITOS COMPLEMENTARMENTE AO DIAGNÓSTICO?
  • Há os exames para “Dosagens Hormonais”, solicitados principalmente em casos de oligozoospermia, bloqueio da função sexual e clínica de endocrinopatia. Avaliação dos níveis de LH, FSH, Testosterona, PRL (diminuição da libido, disfunção erétil), Estradiol (pacientes com ginecomastia).
  • Biópsia testicular é indicada para diferenciar os quadros de azoospermia obstrutiva e azoospermia por falência germinativa, como valor preditivo para obtenção de espermatozoides para ICSI.
  • Ultrassom trans-retal para casos de suspeita de obstrução dos ductos ejaculatórios e hipoplasia/ agenesia de vesículas seminais.
  • Estudo Genético, que possuem indicações específicas nos casos de oligozoospermia grave, azoospermia, suspeita de doença gênica em um dos parceiros, casais com histórico de abortamento habitual, casais com antecedentes de aberrações cromossômicas numéricas e/ou estruturais, entre outras.
  • Além desses, há os exames imunológicos (já fiz praticamente todos). Existem outros exames que avaliam os fatores imunológicos são os anticorpos anti-cardiolipina, Fan (Fator Anti Núcleo), Anticorpos anti-fostatidilserina, fator II gene de mutação da protombina. Células Natural Killer (NK), homocisteína, fator V de leiden e o teste do Cross Match que analisa a rejeição do embrião pelo organismo materno (este tem até tópico específico aqui no blog).

ALGUNS ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE O TEMA
Pesquisei em algumas bases como SCIELO, LILACS E BIREME na área da Saúde, que traz pesquisas em periódicos científicos, seguem alguns achados interessantes: 
 
Investigação e reprodução assistida no tratamento da infertilidade masculina
Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.29 no.2 Rio de Janeiro Feb. 2007
Autor: Fábio Firmbach Pasqualotto (Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade de Caxias do Sul – UCS – Caxias do Sul (RS) e Conception – Centro de Reprodução Humana, Caxias do Sul (RS), Brasil. Diretor do Centro de Reprodução Humana, Caxias do Sul (RS); Professor Doutor Titular da Unidade Morfológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Caxias do Sul – UCS – Caxias do Sul (RS).

O artigo traz o seguinte trecho sobre análise da estrutura da cromatina espermática: 

"Evidências recentes sugerem que a integridade da cromatina do DNA seja muito importante para a fertilidade masculina. A estrutura da cromatina do espermatozóide (proteínas associadas ao DNA) pode ser mensurada por vários métodos, incluindo os ensaios Tunnel e Cometa, assim como citometria de fluxo após tratamento com ácido e coloração dos espermatozóides com laranja de acridina. Estes testes avaliam o grau de fragmentação de DNA que ocorre após tratamento químico do complexo DNA-cromatina dos espermatozóides e que podem refletir indiretamente a integridade da qualidade do DNA dos espermatozóides.
DNA fragmentado em excesso raramente ocorre em homens férteis, mas pode ser encontrado em 5% dos homens inférteis com qualidade seminal normal e 25% dos homens inférteis com análise seminal alterada. Este teste pode detectar infertilidade que porventura não tenha sido diagnosticada em uma análise seminal.
Muitas vezes reversível, as causas de fragmentação do DNA incluem o uso de cigarros, algumas patologias, hipertermia, poluição atmosférica, infecção e varicocele. A indicação atual para a pesquisa do DNA dos espermatozóides é a presença de infertilidade sem causa aparente.

Há mais artigos no link: http://trigramas.bireme.br/cgi-bin/mx/cgi=@1?lang=p&collection=LILACS.org.TiKwAb&minsim=0.30&maxrel=10&eval=kw:5:0&evak1=5&evak2=5&text=Teste%20de%20Estrutura%20da%20Cromatina%20Esperm%E1tica:%20avalia%E7%E3o%20dos%20homens%20de%20casais%20com%20infertilidade%20sem%20causa%20conhecida;%20Reprod%20clim.%20INFERTILIDADE%20MASCULINA.%20CAPACITACAO%20ESPERMATICA.%20FRAGMENTACAO%20DO%20DNA.%20SEMEN.%20CROMATINA



Outro texto:
Atualmente acredita-se que os espermatozóides provenientes do testículo em homens azoospérmicos apresentem menor fragmentação do DNA comparado aos do epidídimo quando da presença de azoospermia obstrutiva. Isto talvez decorra do fato de que a fragmentação do DNA do espermatozóide ocorre no momento da sua liberação das células de Sertoli. Porém, estudos demonstram que o espermatozóide do epidídimo resulta em maiores taxas de gravidez comparado ao espermatozóide do testículo.

Acredita-se também que pacientes com oligozoospermia grave (concentração inferior a 1 x 106 espermatozóides/mL) talvez devam ser submetidos a técnicas de extração ou punção de espermatozóides do testículo e ICSI e não usar os espermatozóides do ejaculado, pela presença de DNA fragmentado nos espermatozóides do ejaculado em maior freqüência do que no testículo.



E por fim, mas não menos importante, um texto bastante esclarecedor, publicado pela SBRH (Sociedade Brasileira de Reprodução Humana), explicando vários itens associados à infertilidade masculina e diagnósticos:


 

Nem sei como começar este post...



Pois é, estou criando coragem desde terça passada para escrever este post e não sei muito bem o que escrever ou como começar.
Não aconteceu nada que deixe o meu sonho para trás, mas foi neste dia que saiu o resultado do exame do meu marido. Como se lembram, depois das 3 FIVs negativas, estamos procurando os motivos da falha da implantação. Como já fiz praticamente todos para analisar o meu corpo, recorremos ao diagnóstico paterno, pois até o momento só tínhamos os espermogramas simples para o início do trabalho.

Desde o dia em que ele fez o exame já estava estranho, não se aproximava de mim ou arredio quando eu o tocava. Percebi que ele precisava de um tempo e com o resultado tudo voltaria ao normal.
Na terça, ele estava no escritório em nossa casa e eu na sala. Ele me chamou, meio cabisbaixo, dizendo que tinha saído o resultado. Como não entendemos a parte médica e genética, somente percebemos que em comparação aos valores de referência que são descritos no próprio exame, há alterações. Não pude conter o choro. Ele não chorou, mas sei que ficou muito abalado. Pediu desculpas por me culpar muitos anos pelo fato de não termos filhos. Eu disse que o perdoava por isso e que nunca o deixarei. Passamos por momentos muito difíceis no casamento e tinha escolhido ficar com ele.

Por um lado, senti que um peso muito grande saiu de minhas costas, pois ele fechou a perguntar para o médico se eu não engravidava por causa da minha ansiedade ou que causa do trabalho, já que tenho muitas tarefas e isso era o motivo. Até chorei na frente do médico que percebeu minha aflição e recomendou terapia aos dois. Acabei não fazendo. Por outro lado, era um novo problema que surgiu: se todos os meus exames estão normais, vamos mudar a linha de investigação para descobrir como melhorar a qualidade dos espermatozoides, pois os embriões não se desenvolver por causa da carga genética que recebem não permite.
Isso porque gero muitos folículos e óvulos – considerando a minha idade, estou bem acima – mas os embriões não conseguem evoluir devido à fragmentação da cromatina. Ou seja, no teste de dispersão da cromatina espermática, ele tem um índice de 36% de células com dispersão, sendo que o normal é estar abaixo de 20%. De 20% a 30%, ainda há chances com a FIV, mas o grau dele é relativamente elevado. Além disso, ficou abaixo do padrão em requisitos como motilidade, vitalidade e morfologia. Quanto à forma, teve um índice alto de defeitos e não sei bem o que isto significa.

Na mesma hora, enviamos um email ao médico que já respondeu na sequência para agendarmos com um especialista que ele confia (já fizemos isso, será nesta semana a consulta) e escreveu algo que ficou a semana toda na minha cabeça: “O resultado de 36% de espermatozoides com DNA fragmentado é considerado elevado, o que pode ter efeito na qualidade dos embriões e resultados negativos”.
Numa pesquisa rápida, percebi que há solução, mas vamos ver o que dizem os médicos sobre nossos novos caminhos. Vou colocar um post na sequência sobre o que encontrei na internet na pesquisa, mas o Dr. Google e minha interpretação precisam de amparo de uma posicionamento do médico e é só para me dar pistas provisórias do que pode ser até o especialistas nos orientar.

Amanhã tenho uma consulta com o outro especialista, estou organizando os exames para ver a opinião dele. Não mudarei o tratamento com o médico anterior, mas buscarei uma segunda opinião de um especialista renomado.
Os resultados do exame vieram como um vendaval e agora parece que estamos começando um novo ciclo. Que seja o último e dê tudo certo...

Meu marido não sabe deste blog e, se um dia ele ler, antes de qualquer coisa, entenda que é um desabafo e repito tudo o que disse para ele nestes anos todos: “escolhi ficar com ele para a vida inteira, com alguém para compartilhar os melhores momentos da vida e para nos ajudarmos mutuamente quando necessário”. Depois de conversarmos bastante, está tudo voltado ao normal, estamos muito próximos de novo, como sempre fomos. É isso, vamos em frente pois há muita coisa por vir...
 

 

terça-feira, 16 de junho de 2015

De volta... Depois do longo sumiço




Meninas, estou de volta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Tirei um tempo para deixar o corpo e a cabeça descansarem, mas percebo que até foi demais e olhando os blogs que sigo, vi que tanta coisa aconteceu!

Fiquei totalmente “off”, mas percebi que tenho um defeito muito grande: como não consigo engravidar e concretizar o meu projeto, isso me gera uma frustração que, de forma inconsciente, faço comigo uma “autosabotagem”, ou seja, assumo um monte de trabalho (mas muito mesmo) em uma atitude autodestrutiva para esquecer disso ou me acabar em outras coisas. Este tem sido um motivo de briga com meu marido Sei que é pior porque acabo atrasando o projeto dos bebês, mas parece uma forma de me punir por não ter conseguido.

Na verdade, não sei explicar bem mas acho que vou fazer terapia para entender melhor este projeto e a culpa que carrego. Aos 38 anos e meio, cada mês em que fico menstruada é uma tortura, choro por pensar “um a menos” na luta contra meu relógio biológico.


Bom, para retomar de onde parei aqui na minha saga: após 3 tentativas frustradas, o médico passou para a linha de investigação da qualidade do material genético para os embriões, ou seja, apesar do fato de que eu consigo gerar muitos folículos (e óvulos maduros), eles não se desenvolvem adequadamente.
Para isso, meu marido fez um exame para analisar a qualidade destes embriões em um exame mais sofisticado, já que os espermogramas apareciam com resultado normal. Foi bem difícil e vi que ele protelou muito para fazer. Da última consulta em março, ele só fez na semana passada, depois de muita insistência minha, embora eu imagine que seja horrível o processo para coleta do material, foda mesmo. Ops, sem ela é pior... kkkkkk

Depois de conseguir convencê-lo, no mesmo dia em que fez a coleta, a mocinha da clínica ligou dizendo que não conseguia realizar a análise com o material e ele teria que repetir, imagine o desespero dele. Aí ele foi ontem e teremos o resultado em 10 dias.

Em paralelo, fui ao ginecologista para ver se os miomas haviam crescido (já que os alimentei com muito hormônio nos últimos tratamentos) e se havia algo que justificasse a falta de implantação. Ele pediu alguns exames, tipo Proteína S e outros para ver se há indícios de abortamento, se bem que há fiz esses e os de trombofilia e não deu nada. Também recomendou que faremos uma histeroscopia para ver o tecido do útero.
A histeroscopia, apesar de um procedimento cirúrgico, explicou que será bem simples, com o uso de uma fibra ótica muito fina que permite ver toda a cavidade uterina, feito na clínica mesmo. Ele disse que os exames feitos até agora não indicam alterações mas seria preventivo.

Para ver o tamanho dos miomas, fiz ontem um ultrassom transvaginal e a médica que realizou o exame, ao perguntar o histórico, fez um comentário que voltei para casa pensando e conversei hoje com meu marido, aí compartilho também com vocês aqui (já que conto tudo, tudo mesmo para vocês).
Ao contar para a médico que fiz duas tentativas com o mesmo médico e ao dizer o nome dele, ela comentou – de forma direta e assertiva, pois este era o estilo dela – “sugiro que reveja a escolha do médico e, se for continuar com ele, peça a opinião de outro especialista também. No seu caso, cada mês é precioso, a partir dos 35 anos, suas chances diminuem muito e você precisa correr”.

Puxa, aqui foi um “soco no estômago”. Saí rapidinho de lá porque estava atrasada para uma reunião de trabalho. Mas sempre que tinha um tempo ao longo do dia voltava ao tema em meus pensamentos. Ela me sugeriu um médico que já havia ouvido falar por amigas e que é professor na UNICAMP, o Dr. Petta (www.drpetta.com.br)

Como estou nesta luta contra o relógio, acordei cedo e liguei lá na CRHC que fica perto de casa e agendei uma consulta com ele para o fim deste mês. São R$600 e, se sentir firmeza, talvez troque de médico. Vou reunir minha “pasta roxa” que tem todos os exames e seguir em frente.

É isso. Hoje já chorei um pouquinho porque é um processo doloroso para mim. Ainda não ter conseguido é complicado, mas sei que é uma questão de tempo. Como sempre, seguindo em frente!!! Bjs, Dani.

 



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Existe limite de idade para fazer FIV?



Meninas, resolvi dar um tempo para meu corpo e minha cabeça descansarem... Depois de uma FIV em 2013 (julho) e outra em 2014 (com uma TEC em fevereiro e outra em março), dei uma paradinha.

Contei aqui como foi a conversa com o médico e o direcionamento para investigarmos o que pode afetar a qualidade dos embriões. Sei que a idade afeta muito a qualidade dos óvulos e, como já estou com 38 anos, isso me preocupa muito. Até perguntei para ele sobre ovodoação, mas ele disse que ainda não chegamos nesta fase e isso deixaremos como Plano B ou Plano C.

Vou retomar os exames nesta semana e estou pegando no pé do maridão porque ele não gosta muito de fazer os exames. Poxa, passei por tanto exames dolorosos, acho que ele poderia ter um pouco de compreensão, pois não queria parecer chata ao ficar pedindo a todo momento para ele ir até a clínica. Tá, deve ser difícil conseguir colocar no potinho o material, já que é uma salinha impessoal, com gente circulando pelo corredor e pressão para fazer logo... risos. É, vamos dar um desconto!

Hoje estava pensando nesta questão da idade e se já limite para fazer a FIV, porque não vou desistir, mas o tempo urge e este mês que parei já parece que estou perdendo um tempo preciso...

Tecnicamente, se houver doação de óvulos, não há limite técnico. Como a mulher nasce com um número finito de óvulos e, com o passar do tempo, não só sua qualidade é reduzida, mas também sua quantidade. A velocidade da perda aumenta ao redor dos 35-37 anos. Após os 40 anos, a chance de engravidar cai drasticamente e, depois dos 45, é praticamente zero. Como já cheguei em 38, bate o desespero, socorro...

As leis e os Conselhos de Medicina procuram organizar limites para esses procedimentos médicos impedindo abusos. Em abril de 2013 foi lançada a Resolução CFM nº2013/13 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que substituiu a anterior, nº1957 de janeiro de 2011, atualizando as regras desses tratamentos.

 
PRINCIPAIS DIRETRIZES DA RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/13:


• IDADE DA PACIENTE – a idade máxima das candidatas à gestação de reprodução assistida é de 50 anos.

• DOAÇÃO COMPARTILHADA – o CFM libera que uma mulher, em tratamento para engravidar, doe parte dos seus óvulos para outra mulher, em troca do custeio de parte do tratamento. Estabeleceu-se também um limite de idade da doadora: 35 anos.

• IDADE LIMITE PARA DOAÇÃO DE ESPERMATOZÓIDES – 50 anos.

• ÚTERO DE SUBSTITUIÇÃO – Ampliou-se para parentesco consanguíneo de até 4º grau (incluindo mãe, irmã, avó, tia e prima).

• TRANSFERÊNCIA – A nova redação também deixa mais claro quanto ao número de embriões a serem transferidos no caso de doação: estes devem respeitar o critério de idade da doadora e não da receptora.

• DESCARTE – os embriões criopreservados acima de cinco anos, poderão ser descartados se esta for a vontade dos casais.

• HOMOAFETIVIDADE – É permitido o uso das técnicas de reprodução assistida para relacionamentos homoafetivos e pessoas solteiras, respeitado o direito da objeção de consciência do médico.

• COMPATIBILIDADE HLA – as técnicas de reprodução assistida podem ser usadas para seleção de embriões compatíveis com algum filho do casal afetado por alguma doença que necessite de um transplante.

 
No entanto, sobre há margem para questionamento da constitucionalidade da determinação de uma data-limite para submissão aos tratamentos de FIV. Vejam o artigo abaixo:


 

No caso desta mulher que engravidou com mais de 60 anos aqui em Campinas, segue um link:


 
É uma questão complicada, que envolve ética e também os avanços da ciência. No meu caso, vou tentar até conseguir realizar meu sonho!!!



Outros links:

Sobre a idade e a produção de óvulos


Sobre mães com mais de 50 na Grã-Bretanha

domingo, 10 de maio de 2015

Mensagem para o "Dia das Mães"

Meninas, quanto tempo não apareço por aqui, não é?! Realmente tirei um tempo para pensar em outros assuntos e permitir ao meu corpo e minha cabeça descansarem um pouco após este processo tão tenso da FIV e das transferências.
 
Hoje vi uma mensagem tão linda para o Dia das Mães que compartilho com vocês, deixando meu carinho a todas que já conquistaram esta dádiva. Ainda aguardo meu dia, sei que em breve chegará...
 
 
Achei muito linda esta frase e imagino que representa bem o que é ser mãe. Nos meus projetos, este ano eu já teria iniciado minha missão como mãe. Não deu certo, ainda estou no projeto, agora espero que isso aconteça no próximo ano.
 
Confesso que fico, lá no fundinho, um pouco triste em ver tantas amigas colocando fotos no Facebook hoje com seus filhos e que eu, secretamente, não posso fazer isso ainda. Como sou muito focada no trabalho, acho que ninguém sabe a intensidade deste meu desejo, sempre dizem "Ah, a Dani se dedicou ao trabalho e não vai ser mãe". Nunca digo que isso é verdade, mas esta imagem acaba camuflando o fato de não ter concretizado o sonho e que está lá no meio interior.
 
Sei que ainda vou conseguir ter a sensação de carregar uma vida na minha barriga e poder cuidar de alguém, para passar meus valores, para compartilhar coisas boas e completar o meu projeto de vida com meu marido, o que sonhamos e vamos um dia ter...
 
Parabéns a todas as mães por este missão sublime! Bjs

 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

No momento, na "Fase Detox"


Meninas, tudo bem? Ultimamente tenho aparecido pouco aqui... na verdade, é porque não tenho novidades. Desde o último post sobre a consulta, tenho dado um tempo para meu corpo e minha cabeça...

Desde setembro do ano passado, quando comecei a tomar o Allurene para bloquear a menstruação e iniciar em novembro a indução de ovulação para a FIV, estava com a ideia fixa de gravidez e tal. Aí os negativos das transferências (em fevereiro e depois em março) me deram uma derrubada e estou em "fase detox". O que é isso? Tentando cuidar primeiro de mim para poder retomar tudo com mais força.

Hoje agendei uma consulta com um ginecologista indicado pelo médico para exames de rotina e também para olhar os miomas. Não sei se lembram, mas tenho 3 miomas grandes e um deles é gigantesco. Como se alimentam de hormônios e dei a eles um banquete nos últimos meses, vou olhar o que está acontecendo. Confesso que senti bastante cólicas após uma menstruação interminável quando parei de tomar os medicamentos neste mês - e a dor é bem no baixo ventre do lado direito, onde está o miomão!
 
Meu marido também fará os exames dele, que são bem específicos e tem que ser na clínica especializada e os meus são mais tranquilos e podem ser feitos em qualquer laboratório.
 
Aproveitei o feriado para cuidar da casa, até achei uma sacola com todas as ampolas e agulhas do tratamento que preciso descartar em um posto de saúde - já que não aceitam na clínica ou na farmácia de medicamentos especiais onde comprei (disseram lá que tem um custo por embalagem que descartam e por isso não aceitam). Quando olhei para todas elas, lembrei das picadas e pensei que vou começar tudo de novo... Ai, ai.

Também voltei à rotina de exercícios na academia e corrida e também nesta semana vou até a dermatologista para cuidar um pouco da aparência (fazer peelling e uma sessão de botox e preenchimento facial - era segredo, mas estou contando aqui para vocês a minha paranoia e medo de envelhecer!!!)
 
Saindo agora para trabalhar e resolver alguns problemas, mas na expectativa que a "fase detox" me deixe mais confiante para recomeçar. É isso, força e bom humor, uma pitada de fé com outra dose de esperança...
 
Uma ótima semana!!!
 
 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Recuperação pós-Negativo na 3ª TEC e notícias da consulta com médico


Gente, estou aqui para contar o resultado da consulta médica ontem...
Como não tinha muitas novidades, estava em fase de recuperação após o 3º Negativo e digerindo um pouco tudo o que aconteceu para ganhar fôlego para as próximas etapas, não tinha postado nada. Mas não esqueci do blog não...
Bom, chegando ao médico, ele foi muito gentil como sempre e apresentou algumas hipóteses sobre nosso caso, especialmente com as suspeitas sobre a qualidade dos embriões, já que meu endométrio responde bem, atingindo 9mm com as medicações nos primeiros dias e, teoricamente, seria receptivo.
Temos as seguintes condições: como tenho ovários policísticos, produzo muitos folículos, mas o aproveitamento é de 50% para que estejam maduros. Assim, nem todos são de excelente qualidade e podem ter fragmentações.
Como os embriões depois de fecundados não se desenvolvem com um desempenho ideal, outro motivo pode ser a qualidade genética do espermatozoide, ou seja, ele fecunda e gera embrião, mas a partir do 5º dia, quando vira blastocisto, perde força.
Portanto, vamos seguir a seguinte linha de investigação: exames mais detalhados do meu marido e bem específicos na clínica que é especializada nisso (nem sei quanto custam os exames, estou me preparando para deixar mais uma grana com este povo, até peguei trabalhos extras pra poder bancar outro ciclo) e outros exames meus, em particular na questão do cariótipo e outros ligados à questão genética.
Assim ficou combinado que, após realizarmos esta lista de exame, vamos agendar uma consulta para análise dos resultados e definir os protocolos da próxima FIV.
Vamos gerar mais embriões e deixa-los crescer até o 5º dia. Quando forem blastos, vamos fazer o PGD (o diagnóstico pré implantacional) para ver a qualidade do embrião.
Acho que no momento é só... Me reorganizando, deixando o corpo descansar um pouco após vários ciclos de medicação. Desde o início da estimulação à ovulação em novembro, depois preparações do endométrio para transferência, senti que não engordei muito, mas os hormônios nos deixam mais flácida.
Na segunda voltei à academia, pois tinha paralisado tudo, vou tentar recuperar a forma física. Sei que logo começarei novo ciclo, é isso. Bjs


P.S. Acho que pudesse considerar que seria a 4º FIV, mas o médico explicou que não, pois fiz 2 FIV (que é entendida como um ciclo de produção dos embriões) e a TEC não conta como outro procedimento. Então, fiz duas FIVs (uma em 2013 e outra em 2015, sendo que esta última resultou em duas TECs). Como os embriões transferidos, mesmo que depois, fazendo parte do mesmo protocolo, tem qualidades semelhantes e usam este padrão. Achava que era diferente. Mas não muda muito o processo, é só para comentar.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Voltando para contar o resultado do Beta

Meninas, minhas atualizações não têm sido regulares, mas venho hoje contar como foi o resultado do Beta na segunda.

Gostaria de dar uma boa notícia, mas foi outro negativo. Pois é, muita tristeza...

Acordei cedo, fiz o exame e fui para a reunião de trabalho, tentando não pensar no resultado, que ficaria pronto depois das 17h. Não aguentei e por volta das 16h entrei no site do laboratório e ele está lá. Hesitei, mas abri e... outro negativo. Tentei não chorar, não demonstrar alteração perante minha equipe, pois como gestora não queria que me vissem chorando. Fui até minha sala, liguei para o marido, que ficou triste e tentou me acalmar. Respirei fundo, coloquei um sorriso no rosto para disfarçar e atender uma pessoa que estava me esperando.

Neste dia, ainda na segunda, fiquei na faculdade até a noite para atender os alunos da Pós. Uma delas veio comentar comigo que precisará interromper o curso devido à gravidez e como poderia ajuda-lo com as dispensas de disciplinas. Neste momento, na mesma sala, na mesa de outro coordenador, estava um outra aluna que veio conversar com ele pelo motivo inverso: devido ao stress no trabalho em uma multinacional. Ela perdeu o bebê aos 6 meses de gestação (como o sistema respiratório não estava formado, a criança não resistiu) e aí começou a chorar muito. Eu tentei consolar, mas estava tão mal em receber o negativo e me senti tão impotente.

Imaginem a situação: uma pessoa vem feliz falar comigo porque está grávida, a outra chora porque perdeu o bebê devido a stress no trabalho e eu, depois de toda a minha trajetória, tinha acabado de receber o negativo da minha 3ºFIV e, arrasada, tive que controlar a situação.

Acabou a cena, liguei para o médico, que pediu para suspender a medicação e agendar consulta para traçarmos novos planos, porque não vou desistir e lançar a expectativa no futuro. Os 38 anos que chegaram me amedrontam, mas vou resistir, levantar a cabeça e partir para novo procedimento

Obviamente, depois que tudo se acalmou no trabalho, fui pra casa e chorei muito....