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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Explicando porque troquei de clínica para a 3ª FIV



Estou tentando me concentrar no trabalho, mas agora que comecei o novo ciclo de indução para minha 3ª FIV, só consigo pensar no assunto... Fiquei “off” no período de férias, mas agora voltou aquela ansiedade. Mesmo sabendo tudo o que vai acontecer pelos protocolos, não há novidades sobre os procedimentos, mas a expectativa é mais para saber como ficarão os embriões, ou seja, como meu corpo vai reagir – e também os espermatozoides do maridão que precisamos captar os melhores.
Aí me concentro um pouco no trabalho e, de repente, fico pensando no processo da FIV...

Então resolvi colocar aqui neste post algo que estou pensando e foi parte das decisões nesta fase: os motivos pelos quais troquei de clínica. Adiantando o final do post, para mudar de clínica, tive que mudar de médico.
Acho que até devo isso ao médico que cuidou da gente no ciclo anterior. Obviamente ele não sabe do blog... rs... mas é algo meu e quero registrar aqui, já que a intenção do blog era essa também. E tem me ajudado bastante a lembrar como foi cada uma das etapas anteriores, com dúvidas que surgem e então dou uma espiadinha aqui nas postagens.

Bom, não tenho colocada aqui o nome dos médicos, por uma questão de preservação do profissional, mas quem quiser saber mais, pode me mandar um email (daniela.pessoa.blog@gmail.com). Se eu demorar para responder, me chamando pelo blog também responderei mais rapidinho.
Agora segue o momento da sinceridade do que achei em todos os procedimentos que passei.


FASE: PRIMEIRAS CONSULTAS PARA “TENTAR ENGRAVIDAR”
Antes de decidir pela FIV, em 2009, comecei a fazer os primeiros exames. Casei (oficialmente) em 2006, parei em 2008 com o anticoncepcional e estava naquela fase “se rolar, rolou”. Quando uma amiga de trabalho engravidou, resolvi ir ao ginecologista que cuidava dela e aí ele identificou meus ovários policísticos. Após o uso de indutor de ovulação para coito programado no início de 2011, fiquei estagnada até 2013. Melhor: em 2011 e 2012, procurei um excelente profissional, professor da PUCC com clínica em Cps que começou a nos apresentar a ideia da FIV, acho que até deveria ter seguido com ele, mas tínhamos dúvidas e ainda achava que tudo aconteceria naturalmente... Teve um cara chato que comentei no blog por indicação de uma amiga que nem vou mencionar.

 
FASE: A PRIMEIRA FIV
Em 2013, um casal de amigos, que sabíamos dos problemas que ele teve com câncer no testículo e ela com 40 anos – eles estavam na fila da adoção por tudo isso e, de repente, ficaram grávidos de gêmeos. Pedi o contato da médica, que esta amiga disse ser “um amor, mas um pouco atrapalhada”. E foi isso mesmo. Fiz a consulta e ela é extremamente atenciosa, mas muito desorganizada e tudo parecia “tentativa e erro”. Ainda assim resolvi continuar os procedimentos. O que a princípio seria uma IA (inseminação artificial), como gerei muuuuitos folículos, virou FIV no meio do caminho.

Esta médica é professora de cursos de Medicina, parece competente, mas vários problemas de falta de organização geraram muito stress com a clínica e aí vem todo o problema. A clínica... Pois é. Eu estava com a barriga estourando de óvulos maduros – e com hiperestímulo e a dona da clínica (ela é quem gerencia e o marido é o médico principal, mas tem uma equipe grande e é uma clínica bastante conhecida, em particular por cuida de problemas de infertilidade masculina). Quase perdemos tudo, uma total falta de sensibilidade dos profissionais administrativos e a médica bastante perdida em todo o processo. Stress total. Além disso, sempre tinha uma ligação da clínica com cobrança extra, nunca sabíamos de fato qual o valor total.

FASE: A SEGUNDA FIV
O médico foi muito atencioso, já descrevi bastante sobre ele nas postagens e detalhei todo o processo no blog com pormenores do tratamento. O problema foi a clínica, que sempre pareceu muito interessada em dinheiro, ou seja, só podia “descer as escadas para a parte dos procedimentos” quando tivesse compensando a transferência dos valores.

Além disso, a dona/gestora da clínica foi extremamente insensível conosco em momentos bem complicados do tratamento, porque não é só uma questão de grana, mas de sentimentos e expectativas. Na 1ªFIV quando os exames sorológicos estavam com alguns dias a mais do prazo e ela não permitiu a punção, viramos a cidade atrás de um laboratório que fizesse no prazo para eu não perder os óvulos maduros e que não fosse interna com problemas sérios com o hiperestímulo, pois fiquei muito mal mesmo, com dores e líquido na barriga, febre e muito mal estar até para respirar.
Depois foram cobranças que chegavam a todo momento, dizendo que faltava pagamento de material, depois de honorários de enfermagem, depois de taxa de congelamento e outros.

Aí a “gota d´água” veio na segunda FIV, assim que tivemos o negativo e estávamos fazendo as contas para começar novo processo para transferir os embriões restantes, fizemos um questionamento e ela foi grosseira demais. Eu que estava chorando pelo negativo, comecei a chorar pela falta de sensibilidade e respeito que ela demonstrou neste momento. Até copiou o médico e foi um constrangimento total. Ele sempre foi gentil e a equipe dele também.

FASE: A TERCEIRA FIV
Ainda não consigo ponderar sobre a clínica, mas deu para perceber que tratam tudo com muito profissionalismo. O médico principal é muito ocupado, vive em congresso e nos atendeu no início. Nas demais fases, é a outra médica da equipe que está acompanhando, mas é bem atenciosa. Vou comentando aqui as impressões.

 
RESUMINDO: Adoro o médico que fez a 2ªFIV, confio nele e na equipe. Não tenho dúvidas da competência e integridade dele, mas estou trocando por causa da clínica.

Não sei se ele (chamarei aqui de Dr JV) já perdeu outros pacientes por este motivo, mas foi o que pegou no meu caso.
Então, agora procuro uma clínica que me cuide bem neste momento, que tenha um processo humanizado porque é tão difícil tudo isso e ainda assim não há como ter certeza de que dará certo. Tenho consciência que posso ter outro negativo. Isso faz parte.
Deixo aqui meus agradecimentos ao Dr. JV, um profissional que recomendo muito!

 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ansiosa, eu? Imagina... (rs)

Do dia 15/05/13, desde que fiquei sabendo que tinha 6 embriõezinhos congelados, tentei segurar a ansiedade, levar a vida normalmente. Não nego que penso neles todos os dias, me dá um friozinho na barriga quando leio relatos de FIVs que não deram certo, mas evito para ter sempre energia positiva no pensamento.

Para segurar a ansiedade, achei uma reportagem bem interessante, que reproduzo abaixo:


Para mulher que passou por FIV, lidar com ansiedade é o mais difícil

Do UOL, publicada em 12/05/2013

Passar por um tratamento de fertilização in vitro (FIV) não é fácil. Envolve passar por uma série de exames, tomar injeções diárias para estimular a ovulação, sofrer os efeitos colaterais dos hormônios e fazer um investimento financeiro alto (cada tentativa custa, em média, R$ 16 mil). Além disso, é preciso lidar com a expectativa da família, que nem sempre tem informação suficiente sobre reprodução assistida. E, apesar de todo o avanço da medicina, o sucesso não é garantido.

"A ansiedade é a parte mais difícil do tratamento", conta Taciana Beatriz Couto, 37 anos. Como boa parte das mulheres de sua geração, ela estava envolvida demais na carreira aos 30 anos para pensar em ser mãe. Por volta dos 35, porém, a vontade bateu. Casada com um homem alguns anos mais velho, que já tinha filhos de outro casamento e havia passado por uma vasectomia, ela precisou, em primeiro lugar, convencer o marido a abraçar a causa. Para piorar, ela sofre de endometriose, problema que costuma ter impacto na fertilidade.

Há quase três anos, ela e o marido, Mário Gasperini, 52 anos, procuraram uma clínica e foram submetidos à fertilização in vitro (FIV). Hoje, graças a uma técnica chamada ICSI (sigla que, em inglês, significa 'injeção intracitoplasmática de espermatozoide'), até homens vasectomizados podem ser pais. Ela permite que espermatozoides extraídos diretamente do órgão reprodutor masculino sejam injetados nos óvulos.

O procedimento, no entanto, foi mal-sucedido: Taciana teve uma gravidez ectópica (fora do útero) e ela foi submetida a uma cirurgia de emergência. "Não tive nenhuma assistência da clínica onde havia feito o tratamento", comenta. Quase dois anos depois, recorreu a outra clínica para fazer uma nova tentativa, que deu certo logo no primeiro ciclo.


A executiva teve dois embriões transferidos e ambos vingaram. Ela teve os gêmeos João Pedro e Maria Alice, hoje com um ano e um mês. É o primeiro Dia das Mães que passa com os dois em casa, já que a menina teve que ficar um tempo internada na UTI após o parto, para ganhar peso. "É muito especial; é uma conquista, a realização de um sonho", comemora.




Embriões, quanto te quero...

Gente, não sei se há alguém lendo este blog, mas escrever sobre todo este processo tem me tirado um peso das costas e diminuído o aperto do coração.
Não sei se é porque não contei para ninguém, tem sido um segredo meu, do meu marido e da ginecologista (ah, a tiazinha da farmácia especializada onde comprei os remédios também ficou na torcida e, por alguns dias, deu muita força no processo... kkkk)

Imagino que seja um processo muito sofrido para todas as mulheres que passam por isso. Vejo nos blogs, nos fóruns e confesso que já chorei muito, muito mesmo. Sinto um vazio, uma impotência e não conseguia compartilhar com ninguém. Agora compartilho com vocês e o fato de alguém ler, me conforta...


Bom, vamos aos resultados da aspiração: dos 24 folículos, foram aspirados 12 óvulos, dos quais, ficarão 6 embriões!!!

Quando chega o relatório por email, o coração dispara e são segundos loucos de ansiedade.

Agora eles estão congelados desde o dia o dia 15 de maio de 2013.

Sempre que passo em frente à clínica, fico mentalizando, pensando que logo estarão na minha barriga... ai...

Como tive a hiperestimulação ovariana, a médica sugeriu que a transferência fosse adiada para o próximo ciclo, pois havia alguns riscos.

Assim combinamos para o mês de julho, que seriam as minhas férias!!!

A aspiração folicular

Chegou o dia da aspiração! Parecia que a barriga iria explodir, mas acordei confiante que os 24 folículos carregavam óvulos lindos e maduros.
Acordei cedo, pois devemos estar em jejum total. Estava um dia lindo... Eu e meu marido acordamos cedo e chegamos no horário à clinica. Eu estava bem tranquila, quando chegamos a médica (acho que não mencionei, ela é a pessoa mais fofa do mundo, carinhosa e me passa tranquilidade...) já estava na recepção. Enquanto meu marido preenchia os contratos, porque não tem como fugir de toda a burocracia (nem contei o stress dos exames, quase que não consigo fazer o tratamento, deixarei para um post à parte, foi muito tenso porque a clínica fez uma série de exigências e os resultados não chegariam a tempo). Mas por fim deu certo e lá estava eu a caminho da sala.
Coloquei a usual camisola de cirurgia, fui encaminhada à sala onde me deitei na maca em posição ginecológica a anestesista me disse que deu o remédio, aquele que dá um barato bom e dormi...
Foi rápido, acordei com fome. Fiz o lanche, mas como tive a Síndrome da Hiperestimulação Ovaria, tive que tomar albumina (algumas doses na veia).
Neste meio tempo, chegou a vez do meu marido, que estava me esperando na sala de recuperação, fazer a parte dele. Imagino que não seja fácil em um ambiente de pressão, as faz parte...
Depois de 1 hora já estava liberada e fui para a casa, com a recomendação de repouso.
Como tive muitos folículos, me senti bem mal. A recuperação foi bem pior em relação à videolaparoscopia. Apesar das recomendações médicas, 2 dias depois estava trabalhando, mas a barriga ficou gigantesca, com dores para deitar/levantar, gases, enjôos.
Tive que cuidar da alimentação, além da albumina. Como já sabia da hiperestimulação, sob orientações médicas, já estava ingerindo bastante proteína (carne, ovos) e depois da aspiração, a recomendação foi tomar bastante líquido, ingerir proteína do WheinProtein (aquela que usamos na academia para treinar – quem faz musculação) e Buscopan para as dores.
Posso dizer que o pior sintoma foi o excesso de líquido no corpo, na barriga principalmente e dificuldade para respirar, o que dava dor no peito. Até pensei em ir ao hospital, mas depois de uma semana, tudo voltou ao normal, inclusive a barriga.
Tinha medo de engordar, não só pela alimentação e hormônios, mas pelo que havia lido em algumas notícias. Engordei uns 2 quilos, mas perdi logo...
Agora... expectativa para esperar o desenvolvimento dos folículos no relatório da clínica após a ICSI – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides, que foi o tratamento de optamos.




A ICSI é um tipo de fertilização in vitro que consiste na micro-injeção de um único espermatozóide no citoplasma do oócito (óvulo). Após esse procedimento, os oócitos são mantidos em incubadora, onde completa-se a fertilização e inicia-se o desenvolvimento do embrião, e como na FIV convencional, após 2-3 dias os embriões são transferidos ao útero materno.
 ICSI é idêntico ao de um tratamento de FIV, com a diferença de que o técnico de laboratório escolhe um espermatozóide viável para cada óvulo. Com auxílio de um microscópio este espermatozóide é aspirado para uma fina agulha de vidro e é injetado num dos óvulos. O processo é repetido para todos os óvulos recolhidos que aparentemente estejam maduros e não apresentem anomalias.
• Menos de um minuto depois de a agulha ser retirada, o óvulo recupera a sua forma original.
• No prazo de 18 horas, o embriologista poderá determinar se ocorreu ou não a fertilização.

• No prazo de 24 a 72 horas, o embriologista poderá determinar se o embrião se está a desenvolver.

Esperando os resultados...